24 de jan. de 2022

ASPECTOS da PRODUÇÃO, CONSUMO e COMÉRCIO de PANC - PLANTAS ALIMENTÍCIAS NÃO CONVENCIONAIS e SAN - SEGURANÇA ALIMENTAR E NUTRICIONAL

Este relato é uma sistematização de respostas sobre algumas questões direcionadas aos integrantes da Rede Agroflorestal sobre aspectos da produção, consumo e comércio de PANC e SAN (Figura 1).

Figura 1. PANC compõe a sociobiodiversidade, fortalece a saúde nutricional e a soberania alimentar. Fonte: Daniela Ferreira (assentamento Egídio Brunetto, Lagoinha-SP)

O objetivo deste artigo é fornecer um panorama geral sobre o cultivo, usos e potencialidades de comércio de PANC e os benefícios para a SAN.

Questões apresentadas aos membros da Rede Agroflorestal:

  • Alguém do grupo da Rede Agroflorestal cultiva e/ou faz o uso sistemático de PANC? 
  • Informar quais são as espécies e como utiliza, se in natura ou processada? 
  • Se gera renda, como é a venda? direta ao consumidor ou outra forma? e o valor obtido com o(s) produto(s)? 

Análise descritiva dos relatos:

Janaína Anacleto - Sítio Anacleto, Tremembé - SP. @sitio_anacleto

Produz PANC em sistema diversificado, em associação de cultivos hortícola e espécies perenes. Maneja com base nos princípios agroflorestais e agroecológico (consórcio, adubação verde e capina seletiva). 

Consumo e comércio in natura:

  • Peixinho (Figura 2 e 4)
  • Almeirão roxo (Figura 2)
  • Capuchinha (Figuras 3 e 6)
  • Ora-pro-nóbis (Figura 5)
  • Carne de jaca (Figuras 7 e 8)
  • Flor azul (fada - cunhã) (Figura 9)
  • Pitaya (Figuras 10 e 11)

 

Figura 2. Almeirão e peixinho (centro)             Figura 3. Capuchinha. Fonte: Janaína Anacleto

No Instagram mostramos como fazer ou compartilhamos colheita e dados sobre a produção e colheita. Usamos PANC para agregar nutrientes. O Peixinho é o mais querido (Figura 4).

Figura 4. Peixinho: PANC frita é a preferida. Fonte: Janaína Anacleto

Pitaya: vendemos bem. Às vezes faço geleia de pitaya.

Flor azul (cunhã): começamos agora. Estamos desidratando e testando receitas.

Nos hambúrgueres de shimeji: vai ora-pro-nóbis e cenoura.

Opção: kit suco verde com PANC. Ainda não faço, pois preciso diversificar o plantio. Ainda não tenho: Bertalha e Azedinha

 

Figura 5. Ora-pro-nóbis                       Figura 6. Caruru, beldroega, capuchinha. Fonte: Janaína Anacleto

Vendemos porções congeladas de carne de jaca desfiada de 500 gramas. Em dezembro/2021 fizemos 70 kg da carne de jaca desfiada e vendemos quase tudo, só restam uns 5 kg (Figura 7).

Figura 7. Salpicão de carne de jaca. Fonte: Janaína Anacleto

Figura 8. Canja de carne de jaca com muito açafrão (cúrcuma) e colorau (urucum). Fonte: Janaína Anacleto

Figura 9. Bolo de cenoura com ora-pro-nóbis. Calda com fada azul. Fonte: Janaína Anacleto

Figura 10. Soda de pitaya e limão. Fonte: Janaína Anacleto

Figura 11. Cheescake (video) com tofu orgânico e pitaia na massa. Fonte: Janaína Anacleto


Juliano Hojah da Silva - Sítio São Sebastião, Natividade da Serra - SP. @sitiodoaltodaserra

Figura 12. Detalhe da área de produção e quintal agroflorestal no entorno da moradia. Fonte: Juliano Hojah da Silva

Vende-se in natura:

  • Peixinho R$3,00/maço
  • Catalonia R$4,00/maço
  • Almeirão roxo R$4,00/maço
  • Azedinha R$4,00/maço
  • Serralha R$4,00/maço
  • Orapronobis R$4,00/100g
  • Guaco R$4,00/100g
  • Capuchinha em flor R$5,00/caixinha
  • Boldo R$3,00/100g
  • Batata yacon R$8,00/kg
  • Banana vinagre R$4,00/kg

Saem pouco, mas como temos e manejamos, colocamos na lista semanal e ajuda a formatar boas cestas. O peixinho as vezes conseguimos mandar para a CSA, aí são 30 clientes x R$5,00 (preço da unidade na CSA - maço um pouco maior): R$150,00 de uma só vez.


Moatán Ribeiro Pinhal - Sítio Bico do Piu, Mogi das Cruzes - SP.

Basicamente vendo as seguintes PANC in natura no litoral de São Paulo: 

  • taioba
  • azedinha
  • ora-pro-nóbis
  • vinagreira
  • peixinho

Tenho preferência pela azedinha pela facilidade de colheita, plantio e quando o consumidor se permite experimentar misturado na sua salada fazendo a vez do limão é ótimo. Mas isso é como toda PANC que temos que ter a venda ativa.


Renato César Sbruzzi Portela - Chácara José Cândido, Caçapava - SP.

Eu não comercializo nada, mas gosto muito de cultivar PANC.

Ganhei uma que também é conhecida como major-gomes em alguns lugares, mas em Belém - PA onde é mais popular, me falaram que é conhecida como carirú (Figura 13).

Figura 13. Major-gomes, também conhecido como fura-tacho em Minas Gerais por causa de suas raízes de reserva. Fonte: Renato Portela.


Aline Lopes Lima - Sítio Santo Antônio, Pindamonhangaba - SP 

Ainda não comercializamos mas produzo para consumo próprio e amigos: 

  • broto de bambu Phyllostachys (muito invasor que precisa manejo!) (conservas)
  • coração de bananeira (conserva)
  • vinagreira que vai bem (tirando quando são atacadas pelas cortadeiras!) (in natura



















Figura 14. Touceira de bambu que maneja para coleta de brotos. Fonte: Aline. 

Ainda não fez análise para formar preço, mas acredita que custaria em torno de (400g bruto):

  • broto de bambu: R$10,00
  • coração de banana: R$18,00

Pretende produzir para a venda na época das culturas ou até acabar o estoque. 

 

Ana Lucia Martins - Sítio Toca do Tatu.  Endereço: Rua Braz Armando de Souza, 270, bairro Marafunda, Ubatuba - SP.

Aqui em Ubatuba, as PANC estão chegando lentamente há algum tempo. Já estão nas bancas da feira.

As preferidas do meu público são (Figura 15):

  • Almeirão
  • Taioba
  • Peixinho
  • Capuchinha
  • Coração da banana

Percebo também um aumento na procura por chá, picão, baleeira são bem queridos.

As PANC são de fácil cultivo e super nutricionais. Porém são mais fácil de cultivar e são perenes.

As vinagreiras aqui também são bem conhecidas.

Gosto muito de enfeitar os buquês:

Figura 15. Preparo de PANC para formar buquês. Capuchinha, alcaparra da capuchinha (centro) e flores e brotos de abóbora (cambuquira). Fonte: Ana Lúcia Martins.

Figura 16. Saladas com PANC. Fonte: Ana Lúcia Martins. 

  • Buquê PANC:

Embrulhar (PANC) na taioba deixa o que está dentro protegido e a pessoa pode lavar a taioba e comer. Eu faço esses buquês, porque identifiquei, fazendo feira, que algumas pessoas tinham dificuldade de consumir um maço inteiro de rúcula, por exemplo. Levavam pouca verdura por isso, e não tinham a diversidade. Os buquês coloco quatro porções, uma folha, um tempero, um chá e uma PANC. Para duas pessoas é bem servido (Figura 17)

 
Figura 17. Buquê PANC embrulhado na taioba para não gerar resíduo. Fonte: Ana Lucia Martins.

Falando em jaca, estou com jaca dura na hora de colher. Se alguém interessar me chama no privado por favor.

Que bom que gostaram, agroecologia é Cuidado.


Kênia Bahr - CDRS - Coordenadoria de Desenvolvimento Rural Sustentável, Ubatuba - SP 

Não vendo, mas produzo, coleto (e realiza estudos aplicados com culinária gourmet abrangendo diversas PANC) para consumo próprio e para distribuição aos amigos e vizinhos. 

Dentre as espécies, destacam-se: 

  • espinafre africano
  • peperomia
  • malvavisco (flor e folha)
  • chaya
  • urtiga
  • quirquinha
  • jambu roxinho
  • caapeba
  • bananinha ornamental
  • urucum
  • gardênia
  • frutas nativas (diversas)
  • rama de batata-doce 
Partes não convencionais de plantas cultivadas: 

  • cambuquira de chuchu
  • mamão verde
  • jaca verde
  • etc. 

Preparo geleia e tempero com algumas e também compotas de frutas com mel com outras.

Acompanho o trabalho das comunidades nas feiras de Ubatuba e do pessoal do MST e, em geral, tem bastante PANC nas bancas e nas cestas.

Algumas fotos de produtos processados de PANC que faço em casa:


Figura 18. Biscoito de arroz e erva-baleeira. Fonte: Kênia Bahr



Figura 19. Sorrentinos de massa de pitaia e bertalha-coração. Fonte: Kênia Bahr

Figura 20. Pudim coberto com compota de grumixama. Fonte: Kênia Bahr

Figura 21. Molho de araçá-boi e pimenta verde para salada. Fonte: Kênia Bahr

Figura 22. Pesto de PANC variadas. Fonte: Kênia Bahr

Figura 23. Tempero pronto com PANC. Fonte: Kênia Bahr

Figura 24. Cheesecake de juçara com calda de groselha-do-ceilão e flor de beijo. Fonte: Kênia Bahr

Uau !😋

Essa movimentação me lembrou de enviar uma informação aqui, para quem se interessar: 
no início do ano passado foi fundada a Comunidade pelo Fortalecimento da Sociobiodiversidade da Mata Atlântica - Vale do Paraíba e Costa Verde, ligada ao Movimento Slow Food. 

A comunidade (CSF) é aberta a qualquer pessoa que se identifique, estude, trabalhe ou se interesse pelo tema. Temos realizado pequenos eventos (virtuais e presenciais quando possível) como feiras agroecológicas, bate-papos, oficinas, etc, junto a diversos parceiros. 

Caso alguém se interesse em integrar esse movimento, pode me procurar que eu envio mais informações. 🌱

Fonte: Kênia Bahr


Vinicius Pontello - Sítio Sagrado Coração da Terra, Estrada da Cachoeira, km 7, Bairro Dona Luciana, Gonçalves - MG

Aqui na feira de Gonçalves comercializamos Taioba, peixinho e azedinha. Já ofereci tanchagem também e em outras épocas já ofertaram serralha por aqui.

A azedinha é a mais comercializada.


Natalia Martín - @sitioflordarainha, São Luiz do Paraitinga - SP

Figura 25. Cerca viva em formação com ora-pro-nóbis. Fonte: Natália Martín 💚🙌🏼


Goura Lila Devidassi - Fazenda Nova Gokula, Ribeirão Grande, Pindamonhangaba - SP 

Eu vendo:

  • almeirão roxo
  • ora-pro-nóbis
  • major-gomes
  • capuchinha

Alda Maria Amaral Santos - Sítio Betel, lote 14, Assentamento Egídio Brunetto, Lagoinha - SP

Comercializo e consumo PANC diariamente. Para mim as PANC são sinônimo de saúde. Só tenho uma CSA e ela consome bastante PANC:

  • almeirão
  • bambu (conserva)
  • bertalha 
  • cabaça (doce) 
  • cambuquira 
  • capuchinha 
  • caruru 
  • confrei 
  • for de abóbora (geleia ou refogado, farofa) 
  • major-gomes 
  • mostarda 
  • serralha 
  • umbigo de banana (conserva)

E outros que fazemos o uso, mas não tinha o nome de PANC para minha mãe e avó. Para elas eram apenas as plantas nativas espontâneas. O interessante era que quando chegamos no local para morar não tinha nada e aí começou a nascer estas plantas maravilhosas que podemos e devemos usar na alimentação.


Resumo dos resultados

Total de participantes: 11 pessoas abrangendo quatro regiões e nove municípios (Figura 26)

Figura 26. Região e municípios representados na pesquisa sobre PANC. Fonte: Antonio Devide, 2022.

Figura 27. PANC relacionadas nos depoimentos dos membros da Rede Agroflorestal e agrupamento de partes utilizadas por frequênciasFonte: Antonio Devide, 2022.


Contribuíram com este relato:

  • Alda Maria Amaral Santos - Sítio Betel, lote 14, Assentamento Egídio Brunetto, Lagoinha-SP.
  • Ana Lúcia Martins - Sítio Toca do Tatu.  Endereço: Rua Braz Armando de Souza, 270, bairro Marafunda, Ubatuba-SP.
  • Aline Lopes Lima - Sítio Santo Antônio, Estrada Municipal  Luiza Fernandes de Miranda, 300, Ribeirão Grande, Pindamonhangaba - SP.
  • Antonio Carlos Pries Devide - Sítio Arco Íris. Endereço: Estrada das Borboletas, 4870, bairro Ribeirão Grande, Pindamonhangaba-SP.
  • Goura Lila Devidassi - Fazenda Nova Gokula, Ribeirão grande, Pindamonhangaba-SP.
  • Janaína Anacleto - Sítio Anacleto. Endereço: Assentamento de Reforma Agrária Conquista, Tremembé-SP.
  • Juliano Hojah da Silva - Sítio São Sebastião (@sitiodoaltodaserra), Bairro Alto, Natividade da Serra-SP.
  • Moatán Ribeiro Pinhal - Sítio Bico do Piu. Endereço: Estrada do Mombuca, caixa 10, distrito de Taiaçupeba, Mogi das Cruzes - SP.
  • Natália Martín - Sítio Flor da Rainha, São Luiz do Paraitinga - SP.
  • Renato César Sbruzzi Portela - Chácara José Cândido, AV José Cândido Sbruzzi 1003, Caçapava-SP.
  • Vinícius Ribeiro Pontello - Sítio Sagrado Coração da Terra, Estrada da Cachoeira, km 7, Bairro Dona Luciana, Gonçalves-MG.

Sistematização, redação e edição: Antonio Carlos Pries Devide - Pesquisador científico - APTA - Polo Vale do Paraíba, Pindamonhangaba - SP. 

Envie contribuições para o blog: antonio.devide@sp.gov.br


21 de jan. de 2022

VIVÊNCIA AGROECOLÓGICA SEM TERRA NO ASSENTAMENTO EGÍDIO BRUNETTO, LAGOINHA-SP

Por : José Miguel Garrido Quevedo - Engº Agrônomo do INCRA SP e da Rede Agroflorestal do Vale do Paraíba

Ana Ariel Terra - Acampada do Assentamento Egídio Brunetto, Lagoinha - SP


Figura 1. Imagem aérea da área de produção agroflorestal da família do Higor Leopoldo e Daniela Ferreira. Fonte: Rafael Bignotto (IPA/SIMA-SP).

Uma busca por um mundo melhor. É assim que pensaram os que aceitaram o chamado da vivência do casal Higor Leopoldo Costa e Daniela Ferreira no Assentamento Egídio Brunetto em Lagoinha-SP para vivenciar um final de semana Sem Terra regado pela Agroecologia. Montamos as barracas no acampamento, Tomamos banho frio. Utilizamos banheiro seco com serragem e saboreamos os quitutes vegetarianos servidos pela equipe de companheiras deste assentamento (Fig. 2 e 3).

 
Figura 2 e 3. Recepção com exposição de sementes e muitos alimentos feitos com produtos da terra.

Na apresentação (Fig. 3) percebeu-se que estes professores, arquitetos, médico, servidores públicos e funcionários vindos dos coletivos como o Coletivo Caiçara, a Ecovila do Proletariado, a Teia dos Povos vieram ver o que o MST tem de diferente. Descontentes com a perspectiva política que o país atravessa o MST se apresenta como uma alternativa ao sistema vigente.


Figura 3. Reunião para apresentações e início dos trabalhos.

A Mística já mostrou que estes atores têm consciência política, “vamos comer dinheiro, Vamos comer dinheiro” era uma das estrofes que emanaram de seu canto. A Cacau nos mostrou como a agroecologia começou a fazer sentido como bandeira de luta dentro do MST a partir de 2014.

Nos emocionamos com o depoimento do Carijó que tratou da longa luta pela terra. Já são 10 anos para cada uma destas 55 famílias conquistarem seu pedaço de chão (aqui a chamada do relato de vida do Carijó para ficar no rodapé).

Depois desta primeira conversa fomos visitar os arranjos que o Higor implantou em seu lote (Fig. 4). São três tipos de Sistemas Agroflorestais. O primeiro é o sistema multidiverso com linhas de frutíferas e linhas de nativas, com destaque para a banana e o pêssego intercalados com canteiros de abóbora, milho, quiabo, etc. O segundo mais voltado para o cultivo das olerícolas e ainda um terceiro nos morros com linhas de banana intercalado com canteiros de mandioca.

Figura 4. Higor Leopoldo Costa apresentando suas experiências de SAF.

Para finalizar o dia fomos brindados com boa música e cachaça ao redor de uma calorosa fogueira.

A noite ao caminhar para a barraca um fato me chamou atenção, o tempo nublado tinha um pequeno vão de céu enluarado, o céu estrelado bem acima do Egídio Brunetto me disse que os Orixás da Dani nos protegiam.

Café da manhã reforçado com as tortas da Dani. Fomos entender o trabalho do dia. Íamos implantar uma nova área de Saf. Linhas de Nativas intercaladas por linhas de frutíferas com bananas, feijão de porco e feijão guandu, como adubadoras.

As linhas de nativas seriam implantadas tendo o conceito de estratificação em mente. O MST tem o costume de fornecer mudas de nativas pioneiras e secundárias iniciais para promover o recobrimento inicial das áreas de Saf, com plantio posterior de mudas de espécies de futuro, associado a semeadura de sementes destas espécies, como o jatobá (Fig. 5 e 6).

 
Figura 5 e 6. Apresentação esquemática do projeto de SAF Neuza Vive. Entrelinhas com arroz de sequeiro.
 

As pioneiras e secundárias iniciais foram plantadas seguindo a seguinte regra (Fig.5 e 6):

  • 1º) pioneira emergente, percebida no tubete por tender a se estiolar.
  • 2º) pioneira de crescimento rápido, percebida no tubete por ter a canela grossa.
  • 3º) secundária inicial, percebida no tubete por ter caule fininho, indicando crescimento mais lento.
  • Ao redor de cada muda duas sementinhas de feijão de porco.

E no intervalo das mudas nativas os berços de sementinhas de feijão guandu e os berços dos rizomas de banana.

Nas linhas de frutíferas o mesmo conceito de estratificação foi aplicado, qual seja: Primeiro uma muda que ocupa o extrato superior quando adulta intercalado com uma espécie de extrato mais baixo, quando adulta. Da mesma forma intercalado de sementes de feijão de porco, feijão guandu e rizomas de banana. E assim se desenvolveu o mutirão com o método 'aprender fazendo', onde quem sabe mais ajuda a ensinar quem está chagando (Fig.7, 8 e 9).

Figura 7. Thiago Coutinho apresenta as mudas e o esquema de plantio.

 

Figura 8 e 9. Mutirão de plantio 'aprender fazendo' onde cada um que sabe mais ajuda a ensinar quem está chegando.

Para finalizar as chamadas do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra e a homenagem a companheira Neuza que nos deixou recentemente e batizou nosso Saf (Fig. 10). 

Figura 10. SAF em homenagem a companheira Neuza.

Neusa Paviatto Botelho Lima, dirigente do MST da região de Ribeirão Preto.

Neusa, uma trabalhadora costureira, mãe de quatro filhos, ingressou no MST nos anos 1990, a partir da ocupação do horto Boa Sorte, em Restinga-SP. De lá prá cá, foram anos de dedicação incansável na luta pela reforma agrária e pela construção do socialismo.

Atuou em todas as frentes do MST, com destaque para o setor de produção, onde ajudou a formar inúmeras associações e cooperativas.

Defendeu que "não há movimento sem movimento, a ocupação é o ar de uma organização”.

Neusa Paviatto Botellho Lima.

Presente!

13/03/1961-06/01/2022

Agora era hora de se refrescar na cachoeira do Assentamento e repor as energias com os vegetais colhidos na horta e o arroz com feijão e macarrão feitos com carinho e se despedir deste dia de “Sem Terra”.

Nota técnica para o relato do assentado de reforma agrária 'Carijó' sobre a história do assentamento Egídio Brunetto, de Lagoinha-SP:

"Rede Agroflorestal do Vale do Paraíba: AÇÕES COM SISTEMAS AGROFLORESTAIS NO ASSENTAMENTO EGÍDIO BRUNETTO EM LAGOINHA - SP" http://redeagroflorestalvaledoparaiba.blogspot.com/2019/10/acoes-com-sistemas-agroflorestais-no.html?m=1


Revisão: 

Verônica Andressa de Castro - Aluna de agronomia da Faculdade da Unesp de Botucatu

Edição para o blog: 

Antonio Carlos Pries Devide - Pesquisador da APTA - Polo Vale do Paraíba

18 de jan. de 2022

PRODUÇÃO AGROECOLÓGICA DE ALIMENTOS REGENERA A PAISAGEM DO SÍTIO SÃO SEBASTIÃO EM NATIVIDADE DA SERRA - SP

RELATO DE EXPERIÊNCIA DO SÍTIO SÃO SEBASTIÃO, NATIVIDADE DA SERRA - SP

Por: Juliano Hojah da Silva


  
 Figura 1. Produção do Sítio São Sebastião em Natividade da Serra - SP, Juliano Hojah Silva e filha.  Fonte: Juliano Hojah


Nome do sítio: Sítio São Sebastião (Figura 2), em atividade a mais de 30 anos, acessível nas redes sociais  como: @sitiodoaltodaserra

Localização: 23º26'56.1"S 45º20'41,5"O

https://goo.gl/maps/yjb8DkT6cnQNBBAN9

Figura 2. Localização do Sítio São Sebastião, em Natividade da Serra-SP. Fonte: Google Maps


Localização: Bairro Alto, Natividade da Serra, SP

Nomes dos produtores: Violeta Martínez Zepeda e Juliano Hojah da Silva

Ano da conversão/início da produção: compramos o sítio em 2019, mas já havia pomar formado.

Uso anterior: pasto, eucalipto e pomar

Uso atual: pasto, eucalipto, pomar, sistema agroflorestal (SAF) e horta biodiversa

Figura 3. Quintal agroflorestal entorno da moradia no Sítio São Sebastião, em Natividade da Serra-SP. Fonte: Juliano Hojah


Iniciativas com SAF: frutas nativas (cambuci, uvaia, grumixama, cabeludinha, juçara e goiaba) com exóticas (citrus, banana, abacate, uva e figo).

Atividades previstas para o ano de 2022: plantio de 2.500 árvores em SAF, dessas 1.000 serão de frutas nativas.

Figura 4. Controle ao ataque de fauna (pássaros) em área hortícola com espantalho e linha de CD pendurado no Sítio São Sebastião, em Natividade da Serra-SP. Fonte: Juliano Hojah


Vendemos PANC - plantas alimentícias não convencionais:

  • Peixinho R$3,00/maço
  • Catalonia R$4,00/maço
  • Almeirão roxo R$4,00/maço
  • Azedinha R$4,00/maço
  • Serralha R$4,00/maço
  • Ora-pro-nobis R$4,00/100g
  • Guaco R$4,00/100g
  • Capuchinha em flor R$5,00/caixinha
  • Boldo R$3,00/100g
  • Batata yacon R$8,00/kg
  • Banana vinagre R$4,00/kg

Todas saem bem pouco, mas como temos e manejamos colocamos na nossa lista semanal quando tem. Mas ajuda a formatar boas cestas.

 
Figura 5. Detalhe da produção de açafrão e araruta associada com abacaxi no Sítio São Sebastião, em Natividade da Serra-SP. Fonte: Juliano Hojah

O peixinho as vezes conseguimos mandar para a CSA, aí são 30 clientes x $5 (preço da unidade na CSA maço um pouco maior) = $150 de uma só vez

Contatos (visitas): 

(12) 99644-9944 WhatsApp (pela alta na infecção de covid estamos sem marcar visitas)

Fonte das informações: Juliano Hojah da Silva

Sítio São Sebastião (@sitiodoaltodaserra), Bairro Alto, Natividade da Serra,SP.