30 de nov. de 2023

Relato de vivência em Horta Medicinal - por Nelson Pompeu

 Olá a todas e todos !

    Quero compartilhar uma experiência transformadora que vivenciei neste mês de novembro de 2023, no Assentamento Agroecológico Egídio Brunetto, na cidade de Lagoinha/SP, onde tive a oportunidade de mergulhar na riqueza da vida comunitária e na cultura da plantação de ervas medicinais.

    Ao adentrar aos portões do assentamento, fui recebido calorosamente pela comunidade local, unida por um propósito comum: a busca por justiça social e a construção de um modo de vida mais equitativo. 

    A solidariedade era palpável, permeando cada interação e projeto desenvolvido pelos moradores. A sensação de pertencimento era intensa, criando laços que transcendiam as fronteiras físicas das pequenas casas e se estendiam até os campos onde a vida pulsava em suas formas mais diversas.

    Uma das práticas mais fascinantes que testemunhei, foi a dedicação ao mutirão da horta medicinal. Os membros da comunidade tinham o cuidado de cultivar uma variedade de plantas, algumas delas  nativas da região.

    Ao caminhar pelos canteiros, fui guiado por moradores experientes, que compartilhavam seus conhecimentos sobre as propriedades curativas de cada erva e a forma de cultivá-las. 

    Pude notar, que a gestão da horta, era de um esforço coletivo, onde todos contribuíam com seu tempo e habilidades.

    No vibrante cenário do assentamento, pude notar a importância da presença feminina no mutirão de plantação de ervas medicinais, se destacando como um elemento vital e transformador. Nesse contexto, as mulheres desempenhavam papel fundamental, não apenas como participantes ativas, mas como líderes e guardiãs do conhecimento relacionado às plantas e seus cultivos.

    Além do aspecto medicinal, a plantação de ervas também era encarada como uma forma de resistência. Os membros do assentamento entendiam que a preservação da biodiversidade local era essencial para a sustentabilidade ecológica e para a preservação das tradições culturais. 

    Assim, o cultivo das ervas medicinais era um  ato de resistência e preservação do conhecimento ancestral.

    Os benefícios dessa prática eram notáveis não apenas para a comunidade, mas também para aqueles que buscavam conhecimento. Pude testemunhar histórias de cura e renovação que ecoavam a ideia de que a natureza, quando respeitada e compreendida, oferece recursos inestimáveis para o bem-estar humano.

    Minha vivência nesse assentamento do MST,  foi marcada pela beleza da solidariedade, pelo compromisso com a justiça social e pela conexão profunda com a natureza. Aprendi que a vida em comunidade, aliada ao cultivo consciente da terra, é uma fonte inesgotável de sabedoria e cura.

    Essa experiência deixou uma impressão duradoura em mim, reforçando a importância de construirmos sociedades baseadas na colaboração, na justiça e no respeito à natureza.

    Que possamos, todos, aprender com essas lições e trabalhar juntos para criar um mundo onde a comunidade e a natureza prosperem em harmonia.

    Muito obrigado.
    Sem dúvida, voltarei outras vezes !

Nelson Camargo Pompeu é advogado trabalhista, fotógrafo e apoiador das causas do MST.

Foto por: Nelson Camargo Pompeu

Foto por: Nelson Camargo Pompeu

Foto por: Nelson Camargo Pompeu

24 de out. de 2023

Semeando a Rede da Cadeia Produtiva Agroflorestal da Juçara - O Açaí da Mata Atlântica

O Grupo Rede de Coletores de Sementes do Vale do Paraíba e a Rede Agroflorestal do Vale do Paraíba, foram contemplados em Setembro de 2023 na chamada de projetos da Organização Fundo Casa Socioambiental (associação sem fins lucrativos que busca promover a conservação e a sustentabilidade ambiental, a democracia, o respeito aos direitos socioambientais), com o projeto:

Semeando a Rede da Cadeia Produtiva Agroflorestal da Juçara. O “açaí” da Mata Atlântica –

(Promovendo a restauração, fomentando a produção, agregando valor, disseminando o consumo e expandindo o mercado)

O projeto conta com duas frentes:

O Projeto será desenvolvido a partir do bairro rural do Ribeirão Grande, em Pindamonhangaba-SP, cuja renda local recai na agropecuária, exploração florestal de eucalipto e turismo. Boa parte das terras localizadas na franja da Serra da Mantiqueira também estão inseridas na APA da Mantiqueira, cujo zoneamento permite o uso sustentável agropecuário e prevê a recuperação dos mananciais.

Veja abaixo como o projeto irá funcionar:

Esse projeto é a necessária etapa inicial (por isso, Semeando) de uma visão e caminhada de mobilização e expansão da cadeia produtiva agroflorestal da Juçara e demais Frutas Nativas da Mata Atlântica, tendo como carro chefe, a Palmeira Juçara, do ponto que se encontra, até atingir o nível de um APL (Arranjo Produtivo Local), com potencial de gerar centenas ou até milhares de possibilidades de emprego e renda para a região e entorno. A massiva divulgação e marketing buscará o aumento exponencial da demanda por produtos oriundos da Palmeira Juçara, extraídos sustentavelmente ou através da agricultura regenerativa e agroflorestal, inserindo gradualmente, mais agentes coletores e produtores (jovens e famílias agricultoras) ampliando a cadeia de produção dessa importante espécie nativa que já esteve ameaçada de extinção, promovendo, assim, a preservação e o cultivo da espécie, colaborando também, com a restauração da paisagem do Vale do Paraíba. 

A Cadeia Produtiva da Juçara, consorciada com a produção de outras Frutas Nativas, vai trabalhar por uma dinâmica organizativa entre diversos empreendimentos, famílias agricultoras, cooperativas, associações do campo agroecológico e da economia solidária, e organizações de assessoria, comunicação e marketing, as quais partilham de um conjunto de princípios e constroem de maneira coletiva acordos operacionais.

A etapa da produção está assentada em dois tipos de manejo: sistemas agroflorestais e extrativismo tanto em áreas de roça como também de matas nativas e quintais. A etapa do processamento é realizada por famílias, associações e cooperativas de agricultores, que transformam a fruta em polpa e produtos mais elaborados, como pães, bolos, sucos, sorvetes, geleias e picolés. Num formato de produção, processamento e distribuição de alimentos, dentro de uma lógica de estímulo à conservação da biodiversidade local onde os trabalhadores sejam os protagonistas numa rede colaborativa. 

Este presente projeto, sendo a base da construção dessa Rede, terá como produtos:



Objetivos realizados:

Planejamento de Atividades, Planejamento de Planos de Marketing, elaboração de criativos (anúncios e panfletos), Concepção de site e e-commerce, Identificação de Campo (mapeamento de matrizes), Interlocução com Câmara de Vereadores de Pindamonhangaba e Secretarias Municipais de agricultura, meio-ambiente e educação de Pindamonhangaba, além de outras entidades que serão divulgadas após estabelecimento efetivo de parcerias. 

Em andamento:

  1. Divulgação, chamamento e inscrição de interessados(as) em compor a Rede em um dos elos da cadeia (restauração, preservação, plantio comercial, coleta, produção e beneficiamento dos derivados, lojística, divulgação e marketing, comércio).
  2. Reunião de apresentação do Projeto da Rede, com comunidade, beneficiários(as) e interessados(as) no Centro Comunitário do Ribeirão Grande.
  3. Lançamento do site da Rede Juçara e Cia 
  4. Reunião com a comunidade do Ribeirão Grande, no centro comunitário do bairro: 9 de Novembro de 2023
  5. Mutirão de repovoamento de 1 hectare na Fazenda Nova Gokula (área da Hospedaria Lótus) com Oficina sobre o potencial econômico da Juçara: 02 de Dezembro de 2023
  6. Oficina de produção de mudas de Juçara no Assentamento Conquista: 10 de Novembro de 2023
  7. Mutirão de repovoamento de 1 hectare no Sitio Céu do Vale, com Oficina sobre Manejo da Palmeira Juçara: 24 de Novembro de 2023 (vide agenda a seguir)
  8. Lançamento de Cartilha e Boletim da Rede Juçara e Frutas Nativas: Dezembro de 2023 

Demais atividades, reuniões e mutirões serão divulgados em breve. As datas das atividades serão sempre confirmadas com antecedência e devidamente divulgadas!

A equipe deste projeto é composta por:

  • Coordenadores, Planejamento, Compras, Oficinas e Monitoramento: Mariana Pereira e Kirttan Godoi.
  • Oficinas de SAF, coleta e processamento de Juçara e apoio no planejamento: Pedro Valadares.
  • Comunicação e Marketing: Arthur Fermiano.
  • Secretaria e documentação: Juliane Ferreira.

Para acessar o projeto na íntegra, clique no link: https://bit.ly/projetoredejuçara

Continue acompanhando este blog e as redes sociais: 

@rede.agroflorestal

@sementesdovaledoparaiba



23 de out. de 2023

Formação prática em Horta Agroflorestal - por Renata Siegmann

Relato da Renata Siegmann em relação a sua participação no curso gratuito:  “Formação prática em Horta Agroflorestal: Compartilhando conhecimento agroflorestal com ações práticas” com os instrutores Altamir Bastos e Valdir Martins, que ocorreu nos dias 6, 7 e 8 de Outubro no Sítio Guajuvira - Assentamento Nova Esperança em São José dos Campos.  A Realização foi da Rede Agroflorestal do Vale do Paraíba e o apoio do Fundo Casa Socioambiental.

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Dediquei os últimos anos a aprofundar meu conhecimento e prática em Sistemas Agroflorestais. Isso me levou a trabalhar em diversas fazendas que utilizam essa forma de agricultura, me envolver em mutirões e cursos de diversos mentores. Acredito que essa jornada nunca acaba e esse é o grande sentido dela: Conectar, aprender, praticar e repetir.


Conforme o tempo foi passando, só foi ficando mais claro que a Agrofloresta é solução para muitos problemas que enfrentamos hoje: Perda de biodiversidade, solos deficientes de nutrientes e biologia, desertificações, dependência de insumos químicos, pragas, erosão, compactação do solo e a lista segue. O próprio Valdir chamou nossa atenção durante o curso: “Precisamos buscar uma agricultura que não seja de deserto”.


Chegando na formação, pude conectar com os outros participantes, dentre eles, alunas do curso de Agronomia da Esalq que pra minha surpresa compartilharam que nem mesmo adubação orgânica faz parte do currículo do curso, muito menos práticas regenerativas de agricultura. Desde o início já deu pra sentir que formações como essa, carregam um potencial enorme de difundir e preparar produtores, profissionais e pesquisadores para se juntar nesse movimento de reflorestar terras e corações. 


Durante os 3 dias do curso, passamos por todas as etapas de elaboração de uma Horta Agroflorestal: Preparação da terra, modelamento dos canteiros, adição de matéria orgânica (muita matéria orgânica) tanto nos caminhos como claro, no canteiro, adubação, irrigação, consórcios de hortaliças e espécies arbóreas, manejo e plantio. Nos momentos que a chuva caiu forte, aproveitamos para repassar a parte teórica e ouvir sobre o trabalho interessantíssimo dos coletores de semente que também fazem parte da Rede Agroflorestal. As partes que não entram na programação oficial completam a experiência, como comer amora e Uvaia do pé e ouvir do Altamir sobre como o CSA (Comunidade que sustenta a Agricultura) é um modelo de responsabilidade compartilhada onde consumidores se transformam em co-agricultores. 


E como a gente assume essa responsabilidade? De produzir alimento sem degradar o solo e o ecossistema que estamos inseridos? Justamente, aprendendo a linguagem desse ecossistema. Sabendo como ele opera, podemos participar para contribuir com seu funcionamento. Naquela área do Sítio Guajuvira, onde trabalhamos naqueles dias, falamos todos a mesma língua de forma prática. A cobertura de solo vira alimento e protege os microorganismos, além de minimizar a necessidade de irrigação. Os troncos de madeira colocados nos caminhos minimizam a compactação e vão se transformando em solo graças aos decompositores. As árvores de poda que ficavam em uma linha a cada três de hortaliças, receberam poda drástica. Espécies como o Ingá, Assa Peixe e Boldo são ótimas de rebrota e vão produzir bastante matéria orgânica e hormônios de crescimento pro resto do sistema. Sem falar dos consórcios de hortaliças que seguindo as combinações certas de sucessão e estratificação, funcionam como uma mini-floresta e trazem a vantagem da diversidade como controle biológico. 


No fim do curso reforcei meu compromisso do fazer, de estar em campo com agricultores experientes, de praticar e colocar a mão na massa. Saí de lá não só inspirada, mas muito mais capacitada para implementar um SAF horta. 


Queremos salvar o planeta com Agrofloresta, mas precisamos fazer isso salvando a nós mesmos e isso se faz produzindo alimento. A agrofloresta deve ser acima de tudo produtiva, só assim ela se torna sustentável do ponto de vista econômico, social e também ecológico. Como o Altamir compartilhou: “Nosso alimento deveria ser nossa prioridade nº 1” então que seja da melhor forma possível: Agroflorestal.


Obrigada a todos os envolvidos nesse trabalho lindo. Eu sigo nessa jornada de Conectar, aprender, praticar e repetir.


Desenho feito pela Renata no dia do curso 


11 de set. de 2023


✨ É com muita alegria que a Rede Agroflorestal do Vale do Paraíba abre as inscrições para a Formação prática em Horta Agroflorestal, o curso de 3 dias terá início no Assentamento Nova Esperança, sítio Guajuvira em São José dos Campos - SP nos dias 6, 7 e 8 de outubro de 2023. ✨

Podem se inscrever gratuitamente na formação: agricultoras e agricultores dos 6 Assentamentos do Vale do Paraíba e parte das vagas também poderá ser preenchida por agricultoras e agricultores familiares que possuem sítio próprio com interesse no Sistema Agroflorestal. A organização das atividades de alimentação e hospedagem será de forma compartilhada com todos os participantes e seus familiares, formato mutirão. 💫🌱

🌿_A atividade está sendo viabilizada através do projeto: Formação Prática em Agrofloresta, para produção de alimentos e preservação da Floresta Atlântica em Assentamentos Rurais com apoio do Fundo Casa Socioambiental._ @fundocasasocioambiental

🎯 As atividades serão orientadas por Altamir Bastos e Valdir Martins. Os sítios parceiros que receberão a implantação da horta agroflorestal são representados por Thais Rodrigues, Maria do Carmo e Janaína Cristina. Você gostaria de ter um SAF em seu sítio mas não sabe como fazer? Vem aprender com a gente!!!

Confira a data e inscreva-se para participar:

✔ Dias 06, 07 e 08 de outubro de 2023, no SÍTIO GUAJUVIRA, localizado no Assentamento Nova Esperança em São José dos Campos-SP.


inscreva-se pelo perfil da @rede.agrofloretal ou no link de inscrição: https://linktr.ee/redeagroflorestal
 

8 de set. de 2023

Oficinas de Coleta e Despolpa da Palmeira Juçara no Ribeirão Grande em Pindamonhangaba/SP

Por Marcielle Monize, Antonio Devide

Entre os meses de junho e agosto de 2023 foram realizadas quatro oficinas de coleta de juçara e quatro oficinas de despolpa dos frutos com os moradores do bairro Ribeirão Grande, em Pindamonhangaba/SP.  



As atividades foram desenvolvidas em continuidade ao projeto iniciado no ano de 2021 que resultou no mapeamento e seleção de áreas para a coleta da juçara no Ribeirão Grande.

  

Andar na mata e conhecer um dos primores da floresta, assim tem sido as oficinas de coleta e despolpa da Palmeira Juçara (Euterpe edulis Mart.) no bairro rural do Ribeirão Grande, em Pindamonhangaba/SP, sob orientação do coletor de sementes e apicultor Pedro Valadares.


A atividade foi dividida em três momentos: Oficina de colheita, Pesquisa participativa e Oficina de despolpa da juçara.


Oficina de Colheita

Primeiramente a preparação para a colheita, onde vamos caminhando pelas áreas dos sítios previamente selecionados, identificando as palmeiras, o estágio de maturação dos frutos e a viabilidade da subida, levando em consideração a segurança e optando se a coleta será por peconha ou com colheitadeira (busca cacho). 




Nesse momento os participantes recebem as orientações sobre o uso das ferramentas e podem experimentar a colheita das duas formas: peconha e colheitadeira de juçara. Com a ajuda do grupo de coleta de sementes Redário também foi possível a subida com equipamentos de segurança usado em atividades de escalada em rocha.

 


Pesquisa participativa

Em seguida o cacho colhido é debulhado e inicia-se o trabalho de pesquisa participativa com os moradores locais que visa avaliar os atributos das palmeiras, medindo-se a circunferência do estipe (tronco) na altura do peito e altura do(s) cacho(s), bem como os aspectos ligados à produção: peso de frutos por cacho e peso de frutos por palmeira.

Uma amostra de frutos de cada cacho foi separada e enviada para análise mais detalhada na APTA Regional de Pindamonhangaba obtendo-se a massa fresca e seca dos frutos.

A sistematização dos resultados parciais obtidos nas duas primeiras oficinas gerou um trabalho, que foi aprovado para ser apresentado no Eixo Temático Manejo de Agroecossistemas. do XII Congresso Brasileiro de Agroecologia.



Título: Pesquisa participativa no estudo da palmeira juçara (Euterpe edulis Mart.) no Ribeirão Grande em Pindamonhangaba, Vale do Paraíba – SP

No resumo do trabalho consta que...

A palmeira juçara (Euterpe edulis), nativa da Mata Atlântica, sustenta rica cadeia trófica impactada pela extração predatória do palmito. A pesquisa participativa com os moradores do bairro rural Ribeirão Grande, em Pindamonhangaba – SP, visa avaliar populações de juçara em sítios classificados a partir da luminosidade em Floresta (sombreada), Plantio (sombra parcial) ou Quintal (pleno sol).

Foram amostradas 42 palmeiras em sete sítios determinando-se a circunferência à altura do peito (CAP) e altura da emissão dos cachos do nível do solo; o número de cachos colhidos e cachos verdes a colher, peso dos frutos e produção.

Em Quintal e Plantio a colheita foi facilitada pela baixa altura dos cachos em comparação às palmeiras na Floresta.

Foram colhidos 55 cachos, resultando em 105 kg de frutos, 50 kg de polpa e 60 kg de sementes. O cultivo de juçara pode gerar renda e promover o equilíbrio biológico em sistemas agroflorestais, florestas e áreas em restauração." 

Palavras-chave: coletor de sementes; sistemas agroflorestais; Mata Atlântica.

Oficina de despolpa da juçara

Os participantes das oficinas foram convidados a colaborar com a coleta de dados e àquelas pessoas que integram o projeto desde 2021 auxiliaram na interpretação e discussão dos resultados, bem como na etapa de revisão do trabalho escrito, qualificando a pesquisa como participativa.

Na segunda parte da oficina aconteceu a despolpa, onde todos os coquinhos (frutos) colhidos foram levados para a cozinha experimental da APTA Regional ou da Fazenda Nova Gokula (compartilhada), iniciando-se o processo de separação dos frutos maduros e verdes.




Os frutos selecionados, após lavados, ficaram de molho em solução de hipoclorito. Depois de lavados novamente, os frutos foram levados à despolpadeira. E assim obteve-se o suco da Juçara.


Os participantes foram convidados a degustar o suco, saboreando assim de todo o processo da experiência de coleta e despolpa da Palmeira Juçara. Cada atividade durou um dia inteiro, com envolvimento ativo de todas as pessoas presentes. 


As oficinas foram realizadas nos dias 17/6, 24/06, 3/8 e 21/8/2023, totalizando 40 horas de atividades de coleta, marcação de matrizes e deslpolpa de juçara. Contou com a participação de 45 pessoas e abrangeu oito propriedades rurais do bairro Ribeirão Grande, em Pindamonhangaba/SP.


Revisão e coordenação da pesquisa participativa: Antonio Devide - pesquisador da Apta Regional de Pindamonhangaba.


Na última oficina tivemos a presença de Drica Avelar, chef de cozinha que está viajando pela Serra da Mantiqueira. Além de acompanhar a atividade ela criou uma receita bem gostosa com a polpa da juçara. Segue o vídeo:



Fotos: Marcielle Monize e Antonio Devide


Realização:



Agradecimentos:  


Associação Corredor Ecológico do Vale do Paraíba pela captação de recursos com a empresa Dupont - filial Pindamonhangaba para o custeio das oficinas.

Instituto Auá de Empreendedorismo Socioambiental - Projeto Ecomercado: forneceu os equipamentos das cozinhas que foram adquiridos por meio do edital Ecoforte da Fundação Banco do Brasil.



7 de set. de 2023

CURSOS DE FORMAÇÃO DE AGROFLORESTORES/AS - CHAMADA FUNDO CASA SOCIOAMBIENTAL: 'FORTALECENDO COMUNIDADES PARA CONSERVAÇÃO E REVITALIZAÇÃO DA MATA ATLÂNTICA E RESILIÊNCIA CLIMÁTICA'

Por Tatiana Cabral - coordenadora

A Rede Agroflorestal do Vale do Paraíba está em constante atividade e articulação, aproximando técnicas e técnicos, educadoras e educadores, agricultoras e agricultores, agroflorestoras e agroflorestores, dentre outras pessoas, que em geral estão unidas pela vontade de implantar, manejar, estudar e disseminar os sistemas agroflorestais (SAF) para restaurar a paisagem na bacia hidrográfica do Rio Paraíba do Sul.

Imagem Lucas Lacaz / A13

A formação de Grupos de Trabalhos da Rede Agroflorestal, chamados de GTs, melhorou a comunicação e a organização das equipes de trabalho a frente das atividades dos projetos. 

Nas  reuniões do GT Projetos se dialoga sobre ações em andamento  e, também, se articula uma equipe técnica multidisciplinar para elaborar propostas engajadas com a base da Rede Agroflorestal (agroflorestoras e agroflorestores), visando acessar editais e fontes de financiamento. 

O embasamento metodológico das propostas e as justificativas estão amparadas nas demandas apontadas no Plano de Ação da Rede Agroflorestal, alinhadas a objetivos a serem alcançados no âmbito de cinco Grupos de Trabalho (Mutirão, Projetos, Comunicação, Infraestrutura e Sementes) e as qualifica por ordem de prioridade. 

Foi assim que conseguimos, no mês de agosto, elaborar uma proposta selecionada na chamada do Fundo Casa Socioambiental associação sem fins lucrativos que busca promover a conservação e a sustentabilidade ambiental, a democracia, o respeito aos direitos socioambientais e a justiça social por meio do apoio financeiro e fortalecimento de capacidades de iniciativas da sociedade civil na América do Sul.

Título do projeto: 

Formação Prática em Agrofloresta, para produção de alimentos e preservação da Floresta Atlântica em Assentamentos Rurais

Objetivos: suprir a necessidade de compartilhar o conhecimento agroflorestal trazendo ações práticas entre os moradores e agricultores do Vale  do Paraíba, em especial dos assentamentos de reforma agrária.

Metodologia: O projeto é dividido em três atividades de formação prática de agroflorestores/as, com a implantação de horta agroflorestal. Cada atividade de formação será oferecida gratuitamente para um núme ro de até 20 pessoas por curso; cada um com a duração de três dias, com aulas teóricas, práticas e mutirão agroflorestal.

Aderência do Projeto às demandas do Plano de Ação

Objetivo 2:

Fomentar ações de disseminação dos sistemas agroflorestais para restaurar a paisagem regional

- Elaborar projeto com foco em vivências. 

- Fortalecer a soberania e segurança alimentar e nutricional em agroflorestas: elaborar projeto para desenvolver atividades de disseminação do conhecimento sobre planejamento para segurança  alimentar, priorizando a reforma agrária e famílias vulneráveis.

Objetivo 3: 

Promover mutirões agroflorestais no Vale do Paraíba

- planejar os mutirões agroflorestais com infraestrutura adequada e enfoque produtivo, enfatizando a inclusão de propriedades familiares vulneráveis da reforma agrária.

Consolidar as vitrines agroflorestais estruturando áreas de referência em tipologias de SAF para receber visitações e vivências.

Objetivo 4: 

Promover a capacitação e o ensino formal sobre sistemas agroflorestais

Apoiar a capacitação para assistência técnica e extensão rural (ATER) em SAF: Formar agricultores para compor a equipe de ATER de agricultor para agricultor.

Inscrições

Poderão se inscrever gratuitamente para a formação: agricultores/as dos assent amentos de reforma agrária Conquista (Tremembé), Olga Benário (Tremembé), Nova Esperança (São José dos Campos); Manoel Neto (Taubaté), Macuco (Pindamonhangaba) e Egídio Brunetto (Lagoinha).

Parte das vagas poderão ser preenchidas por agricultores/as familiares que possuem sitio próp rio e são agroflorestores/as, além de técnicos com atuação nos GTs da Rede Agroflorestal do Vale do Paraíba.

Confira os locais e datas das atividades de formação prática em Horta Agroflorestal:

Dias 06, 07 e 08 de outubro de 2023

Local: SÍTIO GUAJUVIRA, localizado noAssentamento Nova Esperança, em São José dos Campos - SP.

Dias 24, 25 e 26 de novembro de 2023

 Local: SÍTIO BEIJA FLORA, localizado no Assentamento Olga Benário, em Tremembé - SP. 

Para fevereiro ou março de 2024 

Local: SÍTIO ANACLETO ORGÂNICOS, localizado no Assentamento Con quista, em Tremembé - SP.

Para maio ou junho 2024 - Evento de encerramento do projeto e troca de experiências

Local: Pindamonhangaba - SP


ATENÇÃO!!! VAGAS LIMITADAS E GRATUITAS !

Fiquem atentos às redes sociais, pois logo, logo serão abertas as inscrições!!!

Equipe do projeto:

 Instrutores de sistemas agroflorestais: Altamir Bastos e Valdir Martins.

 

 Coordenação do Projeto: Tatiana Cabral                         Colaboração Técnica: Antonio De vide.

Mulheres Agricultoras que coordenam os trabalhos nos sítios   parceiros que serão sede dos locais de implantação da horta agroflorestal e teinamento (Unidades de pesquisa participativa).

Thais Rodrigues, Maria do Carmo e Janaína Cristina


Realização:                                                                                  Apoio:

Revisão e adaptação para o blog: Antonio Devide - pesquisador da APTA Regional de Pindamonhangaba