21 de jul. de 2020

CONTRIBUIÇÕES DOS QUINTAIS AGROFLORESTAIS NO COMBATE AO COVID-19



Quintal agroflorestal às margens da estrada de ferro no bairro Vila Rica em Pindamonhangaba (SP), Brasil.

Autor: Antonio Carlos Pries Devide
Eng. Agrônomo, Dr., PqC do Polo Regional Vale do Paraíba APTA
antoniodevide@apta.sp.gov.br

O Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) alerta que a destruição de habitats naturais fez emergir pandemias de doenças transmitidas de animais para humanos, como o Ebola, a gripe aviária H5N1, o Zika Vírus e o COVID-19. Essas doenças refletem os desequilíbrios ambientais gerados por sociedades contemporâneas com o cultivo de monoculturas, criações extensivas ou o confinamento de animais em larga escala, mineração e expansão de cidades com áreas urbanizadas impermeabilizadas e sem conexão com a matriz florestal que as cercava.
O ressurgimento da febre amarela no Sudeste do Brasil ocorreu após extensas áreas de matas ciliares serem degradadas com o rompimento da barragem de Mariana. Os surtos de malária dispararam na região Norte com o desmatamento da Floresta Amazônica e os casos prováveis de dengue, que atingiram mais de 1.69 mi de pessoas no Brasil no ano de 2015, com 44% das ocorrências no estado de São Paulo, se deram em decorrência da degradação do meio ambiente e extinção dos agentes de controle natural do mosquito transmissor Aedes aegypti.
Os principais fatores que favorecem a pandemia de COVID-19 no Brasil são: a pobreza decorrente da concentração de riquezas e o baixo nível de instrução; a falta ou a má alimentação baseada em produtos industrializados, ricos de ingredientes sintéticos que realçam o sabor, a cor, que garantem a estabilidade por longos períodos, mas que prejudicam a saúde por baixar a imunidade e predispor doenças em pandemias, tais como a diabetes tipo 2, a obesidade e problemas cardiovasculares. A fragilidade no controle da qualidade dos produtos vegetais e animais quanto aos níveis de resíduos de agrotóxicos, antibióticos e de contaminantes virais também ampliam os riscos para a população. Os óbitos pelo COVID-19 são favorecidos por doenças pré-existentes e por condições precárias de nutrição e saúde. 
Nesse cenário emerge a agricultura urbana baseada na agroecologia, uma ciência sistêmica que une às técnicas sustentáveis de produção de alimentos aos aspectos da biodiversidade, da organização social nas relações de geração e partilha dos conhecimentos, do fortalecimento da agricultura familiar com sistemas locais de produção e de consumo que possibilitam reduzir a dependência por insumos externos e promover a soberania e a segurança alimentar e nutricional, melhorando a qualidade de vida e do ambiente, especialmente em comunidades marginais.
A agricultura urbana é uma prática cada vez mais comum na vida de pessoas que buscam na relação com as plantas estabelecer um novo sentido para a vida, seja por uma alimentação saudável, seja como terapia o ato de ‘mexer com a terra’. Em um planeta cada vez mais urbanizado e globalizado a produção de alimentos frescos como frutas, vegetais, fungos e produtos de origem animal, como o mel de abelhas nativas sem ferrão, dobrou globalmente em pouco mais de 15 anos e essa tendência seguirá crescendo à medida que as pessoas perceberem que é estratégica a produção e o consumo de alimentos produzidos localmente de maneira limpa em época de crise.
Os quintais agroflorestais (SAF) são modelos de produção que incluem arbustos e árvores manejados com múltiplos propósitos: para aumentar a biodiversidade e trazer equilíbrio biológico para o sistema, para sombra e bem estar ao trabalhador, como quebra-vento, para produção de adubo verde através da queda das folhas e da poda e como tutor de plantas trepadeiras, p.ex.
Nesse trabalho foram identificados os sistemas de agricultura urbana no município de Pindamonhangaba-SP, na região Metropolitana do Vale do Paraíba (Rio-São Paulo), com a descrição qualitativa de um quintal agroflorestal. Foram relacionadas espécies cultivadas, o hábito de crescimento, a idade, o arranjo de plantio, o manejo, usos e o valor dos alimentos.
Ao percorrer um trajeto entre os bairros Lessa, Vila Rica e Mombaça (Figura 1) foram quantificadas as áreas de agricultura urbana.
Figura 1. Imagem aérea da fronteira agrícola e dos bairros analisados no polígono amarelo, Pindamonhangaba-SP (Abr-2020). Fonte Google Earth.
Nos bairros populosos em que os terrenos são menores há pelo menos duas dezenas de áreas cultivadas em faixas de terras às margens da Estrada de Ferro Central do Brasil e de áreas ciliares dos Córregos do Vila Rica e Campos Maia, que contornam os bairros do Lessa, Vila Rica e Mombaça. Além disso, nas calçadas e jardins internos em reduzidos espaços ou mediante o cultivo em latas, vasos e jardineiras são cultivadas plantas alimentícias, medicinais e condimentares. Os moradores relatam que essas atividades são realizadas por lazer; para obter alimentos frescos; manter a limpeza das áreas que muitas vezes foram restauradas pelos próprios moradores por servirem ilegalmente como locais de depósitos de lixo; promoção do embelezamento do entorno das moradias com benefícios à saúde com o consumo de alimentos frescos e saudáveis e o bem estar coletivo com o asseio, a sombra de árvores; e o favorecimento do controle biológico de pragas como o Aedes aegypti. Em três situações havia pescadores em córregos e ribeirões dessas áreas.
Na análise do quintal agroflorestal em unidade familiar, com área total de 720 m² e área cultivada de cerca de 350 m², verificou-se o cultivo de 44 espécies vegetais com elevada biodiversidade funcional, com ênfase em plantas alimentícias não convencionais (PANCs) que produzem alimentos o ano todo enquanto as frutíferas sazonais intercalam produções.
O cultivo em consórcios é realizado em pequenas ilhas onde as espécies se distribuem em diferentes estratos (alturas) de maneira similar ao que ocorre em uma floresta (Tabela 1).
Tabela 1. Relação de espécies de acordo com o estrato que ocupam nas ilhas de vegetação de um quintal agroflorestal em área urbana em Pindamonhangaba – SP (abril – 2020)

Na porção frontal são cultivadas 5 ilhas. A ilha 1 em um canto do terreno dois arbustos de cabeludinha tem os ramos verticais suprimidos, produzindo cada um cerca de 2 kg de frutos. A pitangueira com a copa reduzida ocupa o estrato acima das cabeludinhas. A bananeira ornamental embeleza o jardim, mas é podada cedendo a matéria orgânica para as frutíferas.
A ilha 2 na lateral tem a palmeira juçara nativa da Mata Atlântica produzindo 3 cachos/ano com cerca de 1,0 quilo de frutos/cacho, obtendo-se ao todo após a despolpa manual cerca de 1,5 kg de polpa concentrada congelada para uso tal como o açaí da Amazônia, e mais 2,5 litros de suco. 
A ilha 3 e a ilha 4 contêm cada uma com um jerivá que produz seis cachos/ano com cerca de 25 kg cada um totalizando 300 kg de frutos, que são consumidos pela avifauna, principalmente maritacas, tucanos e registros de jacus no local. Há demanda por um sistema de despolpa para possibilitar o consumo em larga escala do jerivá.
A ilha 5 abrange um mix de arbóreas e arbustos que são podados (topiaria). Sobre essa vegetação são cultivados cipós: sacha-inchi e maracujá. As castanhas da sacha são descascadas, torradas em forno elétrico por 10 minutos e armazenadas para o consumo.
A ilha 6, assim com as demais se situam nos fundos do terreno. Uma mangueira frutifica no verão. Ao lado, uma jabuticabeira frutifica quase o ano todo sob a copa da mangueira. As palmeiras jerivá e juçara são emergentes e junto com o jerivá sobrepõem o dossel da mangueira. No sub-bosque são cultivadas espécies que toleram sombra (açafrão e taioba).
A ilha 7 contém o pati que é outra palmeira emergente do litoral; logo abaixo a condessa produz em média 30 kg de frutos com o consumo in natura e fácil despolpa que possibilita o congelamento da polpa. O limoeiro ao lado frutifica ao lado da bananeira e mais ao lado há um pau-viola manejado com poda como tutor de orquídeas.
Na ilha 8 a juçara produz 3 cachos/ano, a bananeira produz 2 cachos/ano de cerca de 15 kg. Ao lado 2 moringas são podadas a 1,50 m de altura gerando folhagem consumida em saladas, funcionando como tutor para o cará-moela, junto da mirra. Mais ao lado uma moita de ora-pro-nóbis é podada anualmente ofertando abundante quantidade de folhas proteicas.
A ilha 9 contém uma juçara tutor do pepino-crioulo. Abaixo um araçá amarelo recebe podas anuais e produz frutos consumidos in natura. Ao lado e abaixo há pariparoba, labasca, taioba, gengibre ornamental e helicônias. Uma parreira de guaco completa essa ilha.
A ilha 10 é formada por um jerivá, abaixo uma embaúba seguida de bananeira / cambucá e juçara em associação; de outro lado há bananeira figo, mexerica e goiabeira com melão-de-são-caetano. O cambucá iniciou a frutificação aos 9 anos. Abaixo dessas espécies há cana-do-brejo, taioba, araruta, helicônias e calatea, que embelezam o jardim.
As árvores presentes nos SAF ou na arborização urbana, em jardins e áreas públicas, melhoram a qualidade de vida da população ao reduzir a temperatura e a carga de poluentes na atmosfera, ao aumentar a umidade do ar e promover o equilíbrio biológico, ao interceptar as chuvas e reduzir o escorrimento superficial ao fortalecer a penetração da água no solo, o que é fundamental para evitar a sobrecarga nos sistemas de águas pluviais e prevenir enchentes em áreas tais como àquelas visitadas, contornadas por ribeirões.
A tabela 2 detalha a descrição, o manejo e os usos das espécies no quintal agroflorestal.
Tabela 2. Caracterização das espécies de um quintal agroflorestal com descrição do hábito de crescimento, manejo de poda, idade, produto obtido, usos e benefícios para a saúde (Pindamonhangaba – SP, abril - 2020)

Os quintais agroflorestais são estratégicos para o equilíbrio ambiental na área urbana, mas demandam políticas públicas que favoreçam essa prática, pois, são sistemas que produzem mais alimentos por unidade de área e benefícios muito superiores do que monoculturas, além de despertar a cidadania e introduzir os habitantes na restauração ecológica.
Nesse trabalho foram registradas as contribuições da agricultura urbana e dos quintais agroflorestais na promoção da saúde e prevenção de COVID-19, por quatro motivos:
- Fortalecem a segurança alimentar e nutricional por meio do consumo de alimentos frescos que melhoram o sistema imunológico para combater os efeitos das doenças.
- Promovem o equilíbrio psicoativo por meio do trabalho diário no manejo e embelezamento dos jardins, na elaboração de arranjos florais, banhos de ervas e consumo de chás, que são atividades integrativas e complementares que melhoram a percepção dos caminhos a percorrer para superar os desafios da pandemia.
- Geram renda com o comércio de excedentes da produção.
- Promovem o reequilíbrio do meio ambiente urbano.
Referências bibliográfica
Altieri M. A., Nicholls C. I. A agroecologia em tempos de Covid-19. 2020.
Amador D. B. 2008. Restauração de ecossistemas com sistemas agroflorestais. In: Restauração Ecológica de Ecossistemas Naturais. Kageyama et al. (orgs.). Botucatu – SP: Fundação de Estudos e Pesquisas Agrícolas e Florestais – FEPAF, pp. 333-339.
Brasil. Ministério da Saúde. Situação epidemiológica / Dados. Disponível em: <https://www.saude.gov.br/saude-de-a-z/dengue/situacao-epidemiologica-dados> Acesso em: 01 mai. 2020.
Kinupp V. F., Lorenzi H. Plantas Alimentícias Não Convencionais (PANC) no Brasil: guia de identificação, aspectos nutricionais e receitas ilustradas. São Paulo: Instituto Plantarum de Estudos da Flora, Acesso em: 24 jan. 768 p. 2011.
Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA). Coronavirus outbreak highlights need to address threats to ecosystems and wildlife. 03 Mar 2020. Disponível em: <https://www.unenvironment.org/news-and-storis/story/coronavirus-outbreak-highlights-need-address-threats-ecosystems-and-wildlife> Acesso em: 01 mai. 2020.
Rosenzweig C., Solecki W., Romero-Lankao P., Mehrotra S., Dhakal S., Bowman T. & Ali Ibrahim S. ARC3.2 Summary for City Leaders. Urban Climate Change Research Network. Columbia University. New York. 2015.


Artigo submetido em: 05/2020 ao periódico Pesquisa & Tecnologia da APTA Regional



13 de jul. de 2020

Nota técnica: A Estratificação na Implantação de um Sistema Agroflorestal


Estudo de caso


MUTIRÃO AGROFLORESTAL AGROECOLÓGICO NO SÍTIO ECOLÓGICO 
DO CAMPONÊS VALDIR MARTINS 
Dia 15 de fevereiro de 2020
Por: Eng. Agrônomo José Miguel Garrido Quevedo
Colaboração de Verônica Andressa de Castro 


Figura 1: Área de instalação do sistema agroflorestal - SAF no Sítio Ecológico em São José dos Campos (SP).
            O mutirão Agroflorestal teve por finalidade completar uma área de Sistema Agroflorestal com frutíferas iniciado durante o curso “Sistema Agroflorestal Agroecológico” ministrado pelo técnico e consultor em sistemas agroflorestais Namastê Messerschmidt ocorrido em 25/Janeiro/2020 no Sítio Ecológico no Assentamento de Reforma Agrária Nova Esperança, em São José dos Campos, no Vale do Paraíba, estado de São Paulo, Brasil.
A seguir será ilustrado o planejamento do SAF do presente mutirão:
          
Figura 2: Croqui de parcela agroflorestal com a distribuição das espécies (sem escala) no Sítio Ecológico em São José dos Campos (SP). Elaborada por Verônica Andressa de Castro.


            Vale destacar que nas áreas sujeitas à inundação, o cambucá substituiu o abacate e o cambuci entrou no lugar da laranja pera do rio.       
            O principal desafio é o entendimento do arranjo das espécies sugerido. Segundo Miccolis et al. (2016), trata-se de um princípio fundamental nos Sistemas Agroflorestais, do qual se baseia no arranjo das espécies ou culturas que devem formar uma camada ou estrato florestal. Tais camadas de vegetação formam a estrutura florestal que precisa ser planejada, por simplificação sugere-se: estrato emergente, estrato alto, estrato médio e estrato baixo e ainda o estrato rasteiro. A primeira rua desenhada neste SAF, a linha de frutíferas, foi composta por uma espécie de estrato alto, o abacate nas áreas secas e o cambucá nas áreas úmidas. Ao lado destas espécies, é introduzido o araça-boi, espécie de estrato médio/baixo. E no centro deste módulo, o ipê, espécie nativa do estrato alto/emergente.
            Na segunda linha de plantio, considerado como a linha de diversidade e espécies de serviço, foram introduzidas as linhas de banana, no caso, espécie que pertence ao estrato médio (nanicão) e variedade que pertence ao estrato alto (Prata BR Platina), junto de uma espécie de estrato emergente, o eucalipto, no mesmo berço. A cada metro é então introduzido as espécies nativas, 35 espécies no total, entre elas: aroeira, copaíba, pau formiga, pau viola, sangra d´água, manjolim, embaúba e pororoca.




Figuras 3 e 4: Linhas de espécies nativas e frutíferas em alta densidade já instalado no Sítio Ecológico em São José dos Campos (SP).
           
            Na terceira linha, foi introduzido a espécie de estrato médio laranja pera rio, nas partes secas, e o cambuci, nas partes sujeitas à inundação. Nesta linha, será cultivado a espécie leguminosa de serviço, a gliricídia, espécie do estrato alto e o guanandi, espécie madeireira, do estrato emergente.
            Cada espécie foi associada no espaço conforme o estrato em que cada indivíduo irá ocupar de acordo com a exigência a luminosidade, a fertilidade dos solos e a disponibilidade de água existente. (Miccolis et al. (2016).
            Importante destacar que a primeira operação realizada na área foi a introdução de uma espécie de cobertura, que tem o papel de cultura de serviço, ou seja, que cobre o solo e é roçada para o fornecimento de palha sobre as linhas cultivadas: o capim mombaça.
            A fim de auxiliar a compreensão deste conhecimento o técnico Frenando Spalding da Ecoagri (ecoagri.com.br) compilou algumas informações que nos auxiliam no planejamento do Sistema Agroflorestal com foco neste entendimento.
Acesse o link e conheça a proposta de estratificação da Ecoagri: 

           

Foto 5: Área do SAF a ser implantado, onde observa-se a cobertura de capim mombaça no Sítio Ecológico em São José dos Campos (SP).

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:
MICCOLIS, A., PENEIREIRO, F. M., MARQUES, H. R., VIEIRA, D. L. M., ARCO-VERDE, M. F., HOFFMANN, M. R., REHDER, T., PEREIRA, A. V. B. Guia técnico – Restauração Ecológica com Sistemas Agroflorestais: Como Conciliar Conservação com Produção. Opções para Cerrado e Caatinga. Brasília, Instituto Sociedade, População e Natureza / Centro Internacional de Pesquisa Agroflorestal. 266 p. 2016.
SPALDING, F. Planilha de estratificação e planejamento de consórcios de espécies para Sistemas Agroflorestais. Ecoagri. sem data. 


Adaptação para blog: Antonio Devide - Pesquisador da APTA Polo Vale do Paraíba antoniocarlosdevide@gmail.com

24 de jun. de 2020

A Rede Agroflorestal do Vale do Paraíba em Tempos Outros


Foto: Lucas Lacaz Ruiz, dez/2019. Implantação de SAFs no Assentamento Nova Esperança, em SJCampos.
Foto: Lucas Lacaz Ruiz, dez/2019. Implantação de SAFs no Assentamento Nova Esperança, em SJCampos.
Por Antonio Carlos Pries Devide*
No final do ano de 2013, ações da Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios – Pólo Regional do Vale do Paraíba (APTA) e da Organização Não Governamental Pátio das Artes fomentaram a participação popular em prol da agroecologia gerando um grupo gestor para articulação da Rede Agroflorestal do Vale do Paraíba.
Formada pela conexão de diferentes matrizes do ensino, pesquisa e extensão comunitária, essa Rede tem como foco disseminar os Sistemas Agroflorestais (SAFs) na bacia hidrográfica do rio Paraíba do Sul para fortalecer a produção e promover a restauração ecológica fazendo circular informações referentes a esses temas.
Os mutirões agroflorestais da Rede uniram agricultores familiares da reforma agrária, produtores e empresários rurais, pesquisadores, educadores, estudantes, técnicos, gestores ambientais de unidades de conservação e representantes de organizações não-governamentais, entre outros atores.

Foto: Acervo da Rede Agroflorestal do Vale do Paraíba, dez 2019. Mutirão na Chácara Santana em Areias
Do ponto de vista da Rede, os SAFs são uma das formas mais sustentáveis de promover a restauração da Mata Atlântica ao converter o ecossistema degradado em um outro muito mais produtivo, com baixo uso de recursos externos e de capital, inserindo os agricultores nos processos de restauração ecológica.
Os SAFs ajudam a recuperar a capacidade produtiva dos solos ao consorciar culturas agrícolas com a vegetação arbustiva e arbórea e promove o recobrimento do solo que facilita o controle de gramíneas invasoras melhorando as condições de sobrevivência das espécies florestais. O manejo dessa vegetação com podas recicla nutrientes e adiciona matéria orgânica na superfície do solo, aumentando a luminosidade que estimula o crescimento de espécies cultivadas em associação.
A vegetação nos SAFs combate a erosão ao interceptar as gotas de chuva pela copa e camada de serrapilheira que se forma sobre o solo, o que reforça a infiltração da água que abastece os aquíferos subterrâneos fazendo ressurgir nascentes em áreas degradadas por séculos de exploração predatória.
Com isso, os SAFs estão melhorando a paisagem e agregando valor à terra ao promover a restauração e a conservação de habitats naturais, que se tornam corredores de ligação entre fragmentos florestais do vale, Serra do Mar e Serra da Mantiqueira. Isto, envolvendo inúmeras propriedades rurais. Ao melhorar o fluxo de animais silvestres dispersores de sementes, os SAFs fortalecem a diversidade biológica e inserem os agricultores nos trabalhos de restauração ecológica.
Em relação aos efeitos das mudanças do clima que assolaram a bacia do Paraíba do Sul em um dos quadros mais severos de seca que ocorreram nos anos de 2003 e de 2013, os SAFs, por apresentarem maior biodiversidade, se tornam mais resilientes em termos produtivos e também na oferta de serviços ecossistêmicos.
Diversas iniciativas que ocorriam isoladas no vale se somaram aos trabalhos da Rede nos últimos anos. Os mutirões agroflorestais em núcleos locais ou regionais organizados por agricultores e técnicos estão reunindo cada vez mais gente interessada em desenvolver ações em prol dos SAFs e da agroecologia, muitas vezes, como forma de ressignificar o sentido da vida de residentes em áreas urbanas e rurais.
Com isso muitos consumidores passaram a conhecer e ter acesso aos alimentos agroecológicos em feiras públicas e puderam vivenciar a prática dos SAFs por meio de vínculos estabelecidos com as famílias de agricultores a partir dos mutirões. Assim, surgiu a CSA Guajuvira (Comunidade que Sustenta a Agricultura) em São José dos Campos, organizada pelo casal Thais Rodrigues da Silva e Altamir Bastos, que são agricultores da reforma agrária no assentamento Nova Esperança. A feira agroecológica do parque Vicentina Aranha também foi muito importante por destacar em sua programação atividades que ligaram as interfaces campo-cidade, também, apoiadas pelo SESC de São José.
A comercialização individual e coletiva de produtos agroecológicos está em  expansão por todo o vale, nos municípios de Taubaté (Apoena Rede Agroecológica do Vale e Região), Tremembé (Assentamento Conquista), Pindamonhangaba (APEP - Associação de Produtores Ecológicos e Cesta Querida Produtos Orgânicos), Lagoinha (Assentamento Egídio Brunetto), São Luiz do Paraitinga (Associação Minhoca); na Serra da Bocaina em Cunha (campanha Divino Alimento); na Mantiqueira (Frescor da Mantiqueira de São Bento do Sapucaí); e também no Litoral Norte (Rede Agroecológica Caiçara em Ubatuba).
Foto: Acervo da Rede Agroflorestal do Vale do Paraíba, dez/2019. Feira do Pré-Assentamento Egídio Brunetto em Lagoinha
De maneira geral, para se adequarem nas condições da pandemia do COVID-19, as vendas estão sendo realizadas de maneira direta ou por meio de cestas. Um dos gargalos tem sido reunir os agricultores por meio de aplicativo (venda coletiva) que demanda um gestor, como é o caso em Ubatuba. Dentre àqueles que já formaram freguesia há relatos de que a procura por hortaliças e frutas frescas aumentou. ‘Parece que a pandemia só fez aumentar a procura por alimentos agroecológicos’ ressalta Silvia Moreira (pesquisadora da APTA – projeto Rede Caiçara). ‘As pessoas estão mais conscientes de que a melhor forma de proteção é fortalecer a imunidade com uma alimentação saudável e equilibrada’, conta Janaína Anacleto do Sítio Anacleto no Assentamento de Reforma Agrária Conquista de Tremembé, isto, porque as pessoas estão tendo mais tempo para preparar o próprio alimento.
Uma nova forma de certificação da produção por Sistemas Participativos de Garantia (SPG) que envolve todos os componentes da rede de produção orgânica (agricultores, comerciantes, consumidores, técnicos) também está sendo implantada pela pioneira APOENA através da formação de um Organismo Participativo de Avaliação da Conformidade Orgânica (OPAC), conta Thiago Prota articulador da Rede e organizador da venda de cestas orgânicas.
Dentre os projetos desenvolvidos com agricultores da Rede Agroflorestal se destacam: o auxílio à pesquisa em políticas públicas de avaliação do crescimento e produção de espécies florestais nativas e culturas em SAFs e restauração ecológica (APTA / Pólo Centro Norte), metodologias de pesquisas participativas (Vitrine Agroecológica – APTA / Pólo Vale do Paraíba), Rede de produtores de cambuci e nativas da Mata Atlântica com consultoria em comercialização e processamento de frutas nativas, implantação de cozinha comunitária e pesquisa de matrizes, coleta de sementes e produção de mudas de frutas nativas (Instituto Auá) e formação da rede de coletores de sementes florestais com a participação de agricultores e apoio técnico especializado.
Os trabalhos não param e agricultores e agricultoras da Rede Agroflorestal do Vale do Paraíba estão se fortalecendo e ajudando as pessoas a superar o isolamento causado pela pandemia!
Texto escrito por Antonio Carlos Pries Devide – agrônomo, pesquisador de SAFs com sede no Pólo Regional do Vale do Paraíba (APTA) em Pindamonhangaba, pós graduado em fitotecnia área de concentração em agroecologia pela Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ).
Para mais informações sobre a Rede Agroflorestal do Vale do Paraíba, clique aqui.
Acompanhe também o trecho do documentário “Corpos, Territórios e Saberes: Modos de Agir e pensar nos Ambientes”, que integrou a instalação de mesmo nome realizada no Sesc Sorocaba, em 2019
*Antonio Carlos Pries Devide é agrônomo, pesquisador de SAFs com sede no Pólo Regional do Vale do Paraíba (APTA) em Pindamonhangaba, pós graduado em fitotecnia área de concentração em agroecologia pela Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ)


23 de fev. de 2020

Implantação de Sistema Agroflorestal Apícola

As abelhas são seres de vital importância para a manutenção da biodiversidade do planeta, essenciais para garantir a produção dos alimentos consumidos pelos seres humanos. Hoje em dia, ameaçadas principalmente pela utilização dos agrotóxicos, pelo modelo de produção agrícola convencional.
Os Sistemas Agroflorestais permitem a combinação de uma grande diversidade de plantas em um mesmo espaço, que podem também ter inseridos espécies de animais nos sistemas .
Planejar um modelo de sistema que ofereça e disponibilize maior quantidade de alimento às abelhas favorece a produtividade de mel e derivados e, consequentemente o aumento da produção de frutas,  devido a polinização, e ainda o aproveitamento de plantas aromáticas e medicinais que fornecem pólen as abelhas.




Programação

8h - Café da manhã e boas vindas
8h30 - Apresentação dos participantes e contextualização da atividade do dia.
9h - Histórico da área - planejamento participativo - distribuição das frentes de trabalho.
12h30 - Almoço
13h30 - Avaliação
14h30 - Visita ao Apiário

    Compareça!!




21 de fev. de 2020

2020 - Mutirão Agroflorestal em São José dos Campos

Esse é mais um mutirão liderado pelo agroflorestor Luciano Correia, que transforma a paisagem na produção de seu pai o Sr. Gessi em um paraíso da agroflorestal.
Apresentação de agricultura sintrópica unindo fruticultura e horticultura por Luciano Correia.

Para saber mais sobre a história do local e do último mutirão, acesse o link abaixo:
https://redeagroflorestalvaledoparaiba.blogspot.com/2019/12/aconteceu-mutirao-agroflorestal-no.html

imagem Lucas Lacaz Ruiz, dez./2019.
 
Imagem: Lucas Lacaz Ruiz, dez./2019.

29 de jan. de 2020

JORNADA DE IMPLANTAÇÃO DE SAF´s NO VALE DO PARAÍBA

17 de Dezembro de 2019

Vivência agroflorestal Assentamento Conquista em Tremembé - SP .

   O dia ensolarado logo cedo marcou o início da realização de um sonho. Sim,
sonhado por muitos, porém mais ainda pela Néia e Janaina. De início a sobrinha lhe falava o tempo todo, diga-se de passagem, sobre a tal agrofloresta, sobre a diversidade e
versatilidade de se plantar muito em pouco espaço, da satisfação em ver, comer e sentir
de tempo em tempo diferentes aromas, sabores, cores. Dar valor a cada espaço e de não
apenas tirar da terra, mas dar a ela um pouco do que ela gentilmente nos dá com
generosidade.
O SAF de hoje começou a uns dias, na visita a Apta, pois dali, a Néia saiu
convicta de que sim, da certo , sim, é viável e, sim, podemos ser úteis na regeneração da
nossa terra! O que mostra como é importante a visita a áreas modelo.
Gratidão a Deus, pois achávamos que teríamos poucas mudas, gratidão ao
Antônio Devide por seus ensinos e generosidade, uma pessoa que vê sempre o bom de
todos, que acolhe e orienta, ao Thiago e Mari, por ter seus princípios enraizados no
peito e por espalhar agrofloresta por aí sem esperar nada em troca, ao Paulo sempre
disposto, sempre presente, sempre generoso com mudas e seu bom trabalho, a Deise que
em meio a tanta turbulência preocupou-se em deixar um bolo pro café, ao Lucas pela
disposição, seu Zé Nicácio por compartilhar mudas e sabedoria, além da humildade de
querer aprender mais, seu Jorge que também colaborou e também demonstra sua
vontade em fazer diferente e compartilhar o que já sabe sobre lavrar a terra, a Luciana
que está sempre alegre e disposta e transborda amor pelas plantas.
Sonho que se sonha junto realiza! Hoje foi uma etapa, pois o sonho é espalhar
por aí SAF´s, sementes, sentimentos, alegrias e experiências. Cada um de nós tivemos
nosso papel e assim como na agricultura, a junção de seres diferentes que equilibra, que
dá vida e embeleza!
Além da alimentação que o solo nos dá, de variedades de pássaros de flores e
etc., a agroecologia nos ensina a trazer para a vida a sabedoria da floresta, a ser
pacientes com outros, pois cada um tem um tempo para frutificar, a ser agradecidos, a
olhar cada detalhe a nossa volta, a entender o outro, ser generoso, a lidar com as
diferenças. Enfim, agroecologia é um princípio não apenas um jeito novo de plantar.

Foram plantadas cerca de 40 espécies diferentes nesse SAF, o RECANTO AGROECOLÓGICO, que recebeu esse nome já pensando no futuro, passará de uma terra árida, sem vida, pálida e arenosa, para um solo, sádio, vivo, rico em nutrientes, vida, matéria orgânica e com certeza será um lindo recanto.

Agora, é continuar trabalhando, compartilhando ensinos, e esperar as plantas crescerem observando seu comportamento. Como diz Ernest Ghost: Eu planto meu mato eu manejo meu mato. Nós plantamos, nossa equipe foi maravilhosa!
A cereja do bolo foi a abençoada chuva que nos presenteou com seu frescor a noite, molhando as mudinhas recém plantadas.
A todos que estavam presentes ou na torcida, que colaboraram de alguma forma, nossa gratidão!






                                                     Desenho do SAF:
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                                                                   LEGENDA
B-banana
A-árvores frutíferas nativas
s- plantas de serviço-hibisco e amora de estacas
M- mamona preta
fp-feijão de porco
BD-batata doce
AM-amendoim
tq- consórcio tefrósia e quiabo
cg-consórcio crotalária e guandu
fg-fedegoso
Descrição do plantio
Linhas de banana consorciadas com árvores de frutas nativas diversas e não nativas. Espaçamento entre estas linhas de 6m e entre plantas de banana de 5m e entre árvores, também de 5m.
No intervalo entre elas foram incluídas estacas de amora e hibisco para produção de biomassa.
Em cada linha foi incluído um consórcio diferente de adubação verde ao lado de cada linha já havia sido colocado uma carreira de mamona preta, e nas entre linhas  deixou-se um espaço para a plantios de batata doce e amendoim.

Lista de espécies plantadas:
Mangostão                              
 Abacate
Manga
Timboriu
Laranja pera
Laranja ouro mel
Cedro
Pau viola
Araçá
Dovialis
Cajamanga
Paineira rosa
Flamboyant mirim
amendoim bravo
Pau dalho
Tamarindo
Abiu
Moringa
Pitanga
Uvaia
Cabeludinha
Grumixama

Relato: Janaína Anacleto e Thiago Ribeiro Coutinho
Revisão: Mariana Pimentel Pereira

ACONTECEU: Manejo Agroflorestal em Horta Coletiva

Mutirão Manejo Agroflorestal com Antonio Carlos Pries Devide



A coluna ereta, a mente quieta e o coração tranquilo. Iniciamos o mutirão
agroflorestal na área da horta agroecológica coletiva do Pré-Assentamento Egídio
Brunetto na manhã do dia 13 de janeiro com a limpeza do terreno. Uma capina seletiva
deixando no espaço as mudas de mostarda do cultivo anterior e noutra parte daquele
território ceifando as ervas espontâneas, em sua maioria a tiririca, capins e o caruru, este
também preservado. Formamos leiras, onde o mato foi disposto com terra por cima,
formando canteiros. Posteriormente, depois do material decomposto, será cultivado as
culturas alimentares. Formará a parte ensolarada da Horta.


A outra parte da Horta é formada por linhas de touceiras de banana, tendo no
centro dois canteiros de duas espécies terapêuticas, conhecida entre os agricultores
como “terramicina” e “novalgina”. A primeira é usada como anti-inflamatório, muito
utilizado para a lavagem de ferimentos, a segunda, também conhecida como mil folhas
promete aliviar as dores do corpo, abaixando a febre.


O trabalho deste espaço sombreado foi revitalizar esta área introduzindo espécies
de sub-bosque: a araruta ovo de pata, a cúrcuma e a zedoaria. A primeira muito utilizada
pelos povos indígenas, fornece um fino polvilho muito utilizado para a cura dos ferimentos
de flechas. Usada para recuperação de mães paridas convalescentes, crianças
desnutridas e velhinhos desenganados.
A segunda, também conhecida como açafrão brasileiro, é um anti-inflamatório
potente, muito utilizado para tratar gengivites, por exemplo. E por último, a zedoaria,
popularmente conhecida como “vick”, a semelhança do remédio farmacêutico promete
descongestionar as vias respiratórias, é feito uma pasta das raízes de coloração azul e
cheiro característico. Foi sugerido também, a introdução de estacas de Chaia, uma
hortaliça usada semelhante a couve, só que necessariamente preparada refogada.
Esta área central da Horta Coletiva Agroecológica funciona como uma farmácia
popular deste Assentamento e é no mutirão que o saber é compartilhado.


Por sugestão de um dos participantes foi enfocado o manejo técnico das touceiras
das bananeiras. Primeiramente a diferença entre “plantas mães”, “plantas filhas” e
“plantas netas”. A “planta mãe” é a planta com o cacho de bananas da safra atual. Ao seu
redor, nascem brotos, estes rebentos são chamados “plantas filhas”, sendo então “plantas
irmãs”. O desbaste ou retirada das mudas filhas é feito, elegendo-se apenas uma muda,
mais desenvolvidas ou melhor disposta na touceira para ser a futura “planta mãe”, ou
seja, a que emitirá o cacho de bananas na próxima safra. Quando esta muda se
desenvolve, emitirá novos brotos, as denominadas “plantas netas”. Iniciando nova etapa
de crescimento da família. As mudas desprezadas são simplesmente podadas ou
retiradas com técnica para formar mudas para a formação de novos bananais. O processo
de retirada das mudas é feito realizando uma valeta ao redor da touceira e com o auxílio
de uma ferramenta conhecida como “cava” ou “chivanca”, trata-se de uma cavadeira com
uma folha apenas. Fazendo-se o movimento de alavanca, faz-se a força que destaca a
muda da touceira, fazendo o desprendimento do rizoma.


Uma operação importante no manejo da touceira é a retirada total do pseudocaule
da “planta mãe”, no momento da retirada ou colheita do cacho de banana. É realizada
rente ao solo, com o auxílio de um facão. Complementando esta operação, é feito um
buraco, formando uma cavidade no rizoma exposto e permitirá o acúmulo de água. Tem
por objetivo impedir a entrada de um inseto praga, o moleque ou broca da bananeira, no
ferimento do rizoma.
A ainda, o manejo agroecológico do pseudocaule retirado. É cortado ao meio, de
forma longitudinal, posteriormente é picado, formando pedaços tipo “Telha”. Estas telhas
são dispostas no solo, com a parte cortada para baixo. Esta operação fornece uma
adubação e irrigação as culturas cultivadas, fornecem potássio e água, principalmente.



Complementando-se a operação, estas “telhas” são cobertas com as folhas da planta
cortada cobrindo totalmente o material disposto sobre o solo.
Se possível, há ainda uma medida protetora, quando as “telhas” vão sendo
dispostas sobre o solo, algumas são escolhidas e pinceladas com uma pasta contendo o
fungo beauveria bassiana. O fungo é parasita do inseto praga. Colonizam o corpo do
besouro.
Partimos então para o manejo da área ensolada. Lá serão cultivadas as olerícolas
para preparo coletivo das refeições fornecidas na Escola Popular de Agroecologia “Ana
Primavesi”. Serão introduzidas as seguintes espécies de bananeiras: IAC Prata, IAC
2001, Roxa, Maça, Conquista, Nanicão e Prata Comum. Foi plantado ainda, estacas de
glirícidas, uma leguminosa que fornece nutrientes, entre eles o nitrogênio e sombra ao
sistema agroflorestal.
Concluído a tarefa do dia, conhecimento compartilhado, fomos repor as energias
com o alimento oferecido: arroz, feijão, alface, rabanetes com maxixe e um creme de
berinjela temperados com amor. Este espaço leva o nome de Ana Primavera que
ascendeu para o plano espiritual recentemente. Muito se escreveu sobre a importância
desta pesquisadora e agricultora para a Agroecologia deste Brasil. Muitos filhos
aprendizes ela formou em seu caminhar. Participando destes mutirões vemos que estes
agricultores e este território bebeu na fonte de seu saber e colocam em prática seus
ensinamentos e seu amor a Terra.






Relato:  José Miguel Garrido Quevedo - Perito Ambiental INCRA-SP
Revisão: Mariana Pimentel Pereira
Fotos: Marcielle Monize