3 de out. de 2013

Manejo Agroflorestal no Sítio São José, Sertão do Taquari, Paraty (RJ), Brasil

Mutirão Agroflorestal e Reunião Técnica para o fortalecimento dos produtores agroflorestais     



     O Sítio São José, da família do produtor rural José Ferreira da Silva Neto, é uma unidade encravada no sertão do Taquari, em Paraty, tendo a Mata Atlântica como matriz florestal.

     José Ferreira, brasileiro de origem, nordestina, migrou para a região na década de 1980, exercendo desde então a criação de bovinos em pastos abertos após a derrubada da floresta. Há 13 anos, conheceu os Sistemas Agroflorestais (SAFs) através dos mutirões organizados pelo GAE – Grupo de Agricultura Ecológica, da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, em Paraty (RJ). Desde então, vem convertendo integralmente sua propriedade em um mosaico de SAFs. ‘Zé Ferreira’, apoiado por sua família, se tornou em um dos grandes expoentes sobre os SAFs no Brasil e o Sítio São José, em Paraty, tornou-se local de vivência e encontros coletivos focados na troca de experiências sobre o manejo dos SAfs.
  
Relato:
A necessidade de estreitar os laços entre os produtores rurais e entidades que trabalham com os SAFs nas regiões do Litoral Norte paulista, Costa Verde fluminense e o Vale do Paraíba, levou os membros da Rede Agroflorestal a organizar um Mutirão Agroflorestal com o apoio do produtor ‘Zé Ferreira’, realizado nos dias 20 e 21 de Outubro de 2013, no Sítio São José, no Sertão do Taquarí, em Paraty (RJ). Participaram dessa atividade diversos produtores rurais das seguintes localidades: Quilombo do Cambury e Taquaral (Ubatuba), Sertão do Taquari e Cajaíba (Paraty), todos vinculados ao projeto de resgate da palmeira juçara (IPEMA-AKARUI); produtor rural do Assentamento do MST (São José dos Campos) e produtor de guanandi em SAF da Fazenda Coruputuba (Pindamonhagaba); técnicos do IPEMA – Instituto de Permacultura e Ecovilas da Mata Atlântica, do Pólo APTA Vale do Paraíba (Pindamonhangaba) e da ONG 5Elementes.
         José Ferreira, anfitrião, abriu o dia de atividades com uma apresentação rápida sobre o histórico da família Ferreira, e visita à unidade para o manejo agroflorestal. O manejo foi realizado em uma área de cerca de 2.000m², baseado na capina seletiva (roçada com penado) da vegetação herbácea, deixando-se as mudas florestais em formação e a adubação verde (tefrósia e guandu), já plantada (2m altura) em faixas de contorno em nível. No dia seguinte, um grupo realizou o plantio de palmeira juçara (Euterpe edulis) na linha das leguminosas.


Aleias de Tefrosia e Guandu



    Posteriormente, ‘Zé Ferreira’ irá realizar o plantio de mandioca Preta (dupla aptidão: farinha e mesa – cozinha com qualquer idade e é plantada em pé) com adensamento de leguminosas nas faixas que se formaram entre a aléia de tefrósia + guandu. Esta mesma área em 2010 já havia sido manejada onde o Ingá feijão e Ingá Mirim foram utilizadas como adubação verde . Nesse momento podíamos encontrar as cepas secas desses ingás nas aleias de tefrósia e guandu.




Plantio do Jussara - 2013
Derrubada do Ingá - 2010


   

















     No período da tarde, após o almoço, os participantes se reuniram para avaliar a proposta de união entorno da Rede Agroflorestal, para o fortalecimento e a disseminação dos SAFs nas regiões do Litoral, Vale do Paraíba e Mantiqueira. Foi explicado que atualmente, a Rede Agroflorestal do Vale do Paraíba, reúne participantes dos mutirões agroflorestais realizados em Pindamonhangaba bem como outros interessados que se ligaram ao longo do tempo, possui sede no CEAVAP – Centro de Estudos Ambientais do Vale do Paraíba/FARO – Faculdade de Roseira e um blog na internet < http://redeagroflorestalvaledoparaiba.blogspot.com.br/ >.
    José Ferreira destacou a importância da articulação da Rede Agroflorestal, dentre outras atividades, promovendo a troca de sementes, que deve ocorrer de maneira contínua em todos os encontros. Patrick Assumpção (Fazenda Coruputuba, Pindamonhangaba) destacou a importância da Rede para a reunião de informações e promoção dos SAFs ligando todas as regiões, destacando a importância da Rede na promoção do resgate de espécies nativas, principalmente frutíferas, para a reintrodução no Vale do Paraíba daquelas praticamente extintas. José Ferreira destacou que no ano de 2013, diversas frutíferas consolidaram sua produção (araçá-boi, grumixama, cubiu, cacau, cabeludinha e bacupari), resultando no preparo de compotas e geleias, porém, com grandes perdas de sementes. Antonio Devide (APTA) relatou que a Rede se formou a partir da articulação espontânea de produtores, técnicos, educadores, acadêmicos, gestores públicos dentre outros atores, reunidos nos mutirões agroflorestais que ocorreram desde o ano de 2009, no Vale do Paraíba e que atualmente a Rede visa ações de ensino-pesquisa-extenção agroflorestal, está organizada em Núcleos: Mantiqueira (Sítio Diversitah), Vale do Paraíba (Sede CEAVAP/Faculdade de Roseira), Região Metropolitana (Instituto de Botânica/ONG 5 Elementos), Litoral (Sítio São José). Washington Mourão, de Ubatuba, contou a história da conversão agroflorestal de seu Sítio, no Sertão do Taquaral (Ubatuba), ressaltando que está se especializando na produção de cambucá e que poderá trocar mudas e sementes, em breve.  Relatou experiências com inhame (Colocasia esculenta) e a necessidade de se organizar para conseguir novos mercados, como ocorreu com a merenda escolar, em Ubatuba. O produtor Valdir, do MST, relatou sua experiência com a venda de produtos orgânicos na feira e de como conheceu os SAFs, o apoio que tem tido para instalar uma unidade no Assentamento Nova Esperança e a previsão de mutirão no final do mês de Outubro (28/10/2013). José Ferreira, disse que poderá ser um facilitador, pois estará retornando de uma atividade na Universidade Federal de Viçosa (MG). Braz, do Sertão do Taquari, falou de seu interesse em promover os SAFs na localidade, através da promoção dos mutirões, destacando que só assim os SAFs se firmarão, porque a mão de obra é escassa e os jovens não querem trabalhar no campo. Jorge Ferreira, parceiro de Braz, ressaltou que é possível viver da produção que tem obtida do manejo agroflorestal. Isaías e Alcides (Ubatuba) relataram no Quilombo do Cambury, as dificuldades são grandes para se produzir em áreas consideradas de proteção ambiental, mas que têm conseguido bons resultados a partir da união dos produtores, trocando informações, mudas e sementes, destacando que o projeto que incentivou a produção da palmeira juçara para a colheita de frutos foi excelente para a população, os bichos e as plantas, resultando em grande quantidade de sementes beneficiadas que podem ser replantadas, sendo isto bem melhor do que o corte do palmito.

   José Ferreira pediu para que nos próximos mutirões o grupo promovesse a troca de sementes e mudas de maneira espontânea, sem precisar avisar. Keila (Universidade da Cantareira) resaltou que com o blog bem estruturado e atualizado, facilitaria a comunicação entre os núcleos e que precisa fazer um cadastro dos produtores e sementes das quais têm disponíveis para troca.   Dani (IPEMA), representando o IPEMA, considerou que a distância de todos pode ser um impeditivo para assumir compromissos na estruturação da Rede. Patrick ressaltou que cada região tem sua dinâmica própria, de encontros, mutirões e organização, mas que é possível compartilhar a informação a partir de relatos de experiências que ficam disponíveis na internet (blog). Ao final, um grupo se deslocou na propriedade para conhecer outros SAFs e o ambiente de mata atlântica.



REDATOR NOME: Antonio Carlos Pries Devide – Engº Agrº Pesquisador do Pólo APTA Vale do Paraíba
DATA DE REDAÇÃO: 24/09/2013
REVISOR NOME: Patrick Ayrivie de Assumpção – Produtor Rural – Fazenda Coruputuba
DATA DA REVISÃO: 26/09/2013






24 de jul. de 2013

Dia de Campo sobre Sistemas Agroflorestais com Guanandi, na Fazenda Coruputuba - Pindamonhangaba,SP.


RELATO DE VIVÊNCIA
Data: 12/07/2013
Local: Fazenda Coruputuba, Pindamonhangaba - SP - Proprietário: Patrick Assumpção
(patrick@guanandicp4.com.br)


No dia 12 de julho a equipe da Rede Agroflorestal do Vale do Paraíba, representada pelo Núcleo de Pindamonhangaba se reuniu na Fazenda Coruputuba para um dia de campo sobre sistemas agroflorestais (SAFs). Vivenciaram a colheita de araruta e mandioca em experimentos focados na conversão agroflorestal da produção de guanandi (Calophyllum braziliense), espécie nativa da Mata Atlântica produtora de madeira de lei e adaptada aos solos inundáveis. O objetivo da atividade foi divulgar as pesquisas desenvolvidas na Fz. Coruputuba através da parceria da APTA – Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios e o Curso de Pós-Graduação em Fitotecnia - Agroecologia da UFRuralRJ. Além de avaliar a colheita de araruta e da mandioca, realizou-se o manejo do sistema por meio da poda do feijão guandu, dos pseudo-caules e folhas das bananeiras já em produção nos sistemas mais complexos, bem como o manejo da parte aérea da araruta que também serviu de adubo verde para a bananeira e a palmeira juçara (Euterpe edulis). Também, conheceram a colheita do feijão guandu. A araruta produziu aproximadamente 30 kg de rizomas in natura provenientes de 40 plantas no sistema Guanandi + araruta e 16 kg no SAF mais complexo, incluindo banana, guandu e árvores. Os participantes convidados ainda degustaram os produtos dos sistemas agroflorestais, tais como taro (Colocasia esculenta), mandioca amarela IAC06-01, banana BRS Conquista e mel de acácia (Acacia mangium).


Projeto: Biodiversidade na produção agroflorestal de guanandi (Calophyllum braziliense) e acácia (Acacia mangium) – APTA Pólo Vale do Paraíba. Responsável: Pesquisador Antonio C. P. Devide – antoniodevide@apta.sp.gov.br


Lista de Participantes: 

Maria de Fátima da Silva - graduanda e estagiária na FARO
Bárbara Kênia - graduanda e estagiária na FARO
Laura Reis - Gestora Ambiental na ONG Pátio das Artes e FARO
Maria Eunice Schiefer - Produtor rural
Gilbero Schiefer - Produtor rural
Antonio Carlos Pries Devide- Pesquisador da APTA - Pólo Regional de Pindamonhangaba
Cristina Maria de Castro- Pesquisador da APTA - Pólo Regional de Pindamonhangaba
Patrick Assumpção - Produtor rural
Keila Malvezzi




O pesquisador Antonio Devide iniciou o dia de campo com uma conversa cobre o trabalho desenvolvido na Fazenda Coruputuba, e na sequência, mostrou os resultados da colheita! 

Feijão-guandu coletado dos Sistemas Agroflorestais. 

 Bananas colhidas dos Sistemas Agroflorestais.



Troca de experiências: produtor rural, Gisbert Schiefer, o qual também trabalha com Sistemas Agroflorestais em sua propriedade, produtor Patrick Assumpção, o pesquisador Antonio Devide, da APTA Pólo Regional do Vale do Paraíba e a estudante Keila Malvezzi.
  
Colheira da araruta!

Resultado da colheita, 46 kg em apenas uma parcela dos SAFs.


Encerramento do dia de campo, equipe reunida! A Rede Agroflorestal do Vale do Paraíba agradece mais uma vez a presença de todos!




11 de jun. de 2013

Curso de Manejo Agroflorestal Sucessional com Ênfase em Sistemas com Café



Curso prático realizado pelo Mutirão Agroflorestal (www.mutiraoagroflorestal.org.br) dirigido para pessoas que tenham base e experiência nas agroflorestas sucessionais e que já realizaram pelo menos um curso na área.
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O curso iniciará ás 9:00 do dia 21/06 e finalizará ás 17:00 do dia 23/06/13.
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04 Curso Ernst (49) (Medium)
Tópicos a serem abordados:

- O manejo na dinâmica sucessional; 

- Ciclagem dos nutrientes; 

- Podas de estratificação;

- Técnicas de escalada de árvores para poda e manejo;

- Preparo, cuidado e uso de ferramentas; 

- Diagnóstico e avaliação de agroflorestas em diferentes estágios.
Profissionais do Mutirão Agroflorestal envolvidos no curso:
Patrícia Vaz (Sitio Diversitah - São Lourenço/MG), Denise Bittencourt Amador (Faz. São Luiz), Rodrigo Junqueira Barbosa de Campos (Faz. São Luiz). Colaboração de Sergio Olaya e Vandeir Azevedo (Faz. São Luiz).
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O LOCAL
Fazenda São Luiz trabalha com agroflorestas desde 1997, já contando com aproximadamente 10 hectares de agroflorestas em diferentes idades. A Fazenda é a sede da ONG Mutirão Agroflorestal Localiza-se entre os municípios de São Joaquim da Barra e Morro Agudo, região nordeste do Estado de São Paulo, a 80 km de Ribeirão Preto.
www.fazendasaoluiz.com
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INVESTIMENTO:R$ 540,00
*O valor pode ser parcelado em 3 vezes de R$ 180,00
A inscrição é feita mediante o depósito da primeira parcela
Inclui:
- todas as refeições, em fogão á lenha e com cardápio agroflorestal;
- hospedagem nos alojamentos da fazenda (um feminino e um masculino com capacidade para 20 pessoas em cada);
- transporte da cidade de Orlândia até a fazenda para os participantes que chegarem de ônibus.
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INSCRIÇÕES:
E-mail: denise@fazendasaoluiz.com
(16) 3859-8006
VAGAS LIMITADAS!

10 de jun. de 2013

Semana do Meio Ambiente - Dia de Agrofloresta


A Prefeitura de Pindamonhangaba promoveu  na Semana do Meio Ambiente diversas atividades sob o tema "Meio Ambiente sob Vários Olhares".

O dia 06 foi dedicado à Agrofloresta! Em parceria com a Rede Agroflorestal do Vale do Paraíba, representada por 6 de seus membros, dentre eles: Cristina Castro e Antonio Devide – pesquisadores da Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios - APTA Pólo Regional do Vale do Paraíba; Patrick Assumpção – proprietário rural (Fazenda Coruputuba); Ana Salles – Coordenadora do projeto Agroquintais e Edson Junior e Laura Reis – Faculdade de Roseira/ONG Pátio das Artes, foram realizadas 5 palestras sobre Agrofloresta, no Auditório da Prefeitura de Pinda, para alunos da 8ª série da escola municipal Eunice Bueno Romeiro, de Moreira César. 

Os temas das palestras foram:
Antonio Devide: História do Vale do Paraíba e Introdução à Agrofloresta
Edson Junior: A Importância das Sementes Florestais nos SAFs
Cristina Castro: Hortaliças Não Convencionais em SAFs
Patrick Assumpção: Conversão da Monocultura do Guanandi em Sistemas Agroflorestais
Ana Salles: Projeto Agroquintais - Agroecologia nas Escolas

No período da tarde, os alunos participaram de uma prática, por meio da implantação de Sistema Agroflorestal demonstrativo na Fazenda Coruputuba. 

Alunos reunidos na Fazenda Coruputuba, encerrando a atividade com a colheita da mandioca nos Sistemas Agroflorestais.

Pesquisador Antonio Devide apresentando aos alunos a história do Vale do Paraíba.



Biólogo Edson Junior expondo a importância da qualidade das Sementes Florestais Nativas e Adubadeiras para os Sistemas Agroflorestais.

Pesquisadora Cristina Castro apresentando aos alunos as hortaliças não-convencionais. Todos ficaram impressionados com a diversidade de "matos" comestíveis!



O produtor Patrick Assumpção mostrou o trabalho de conversão da monocultura para a Agrofloresta, e os frutos que vem colhendo deste trabalho em Pindamonhangaba.

 
Ana Salles apresentou o projeto Agroquintais - Agroecologia nas Escolas, trabalho desenvolvido com alunos de escolas e moradores dos bairros de Pindamonhangaba.

Recepção na Fazenda Coruputuba, e preparo das sementes e mudas para início do SAF.

Orientados pela equipe da Rede Agroflorestal do Vale do Paraíba, os alunos realizaram a semeadura direta de plantas adubadeiras e árvores nativas.

Jovens com a "mão na massa"!


Semente plantada! Missão cumprida! A Rede Agroflorestal do Vale do Paraíba agradece a oportunidade de cumprir com seu objetivo, de Ensinar e Disseminar Agrofloresta.

30 de abr. de 2013

Oração da Floresta


Oração da Floresta

Senhora das Florestas, espírito de Luz, de harmonia, de Amor e de beleza que existe em todo organismo, no macro e no microcosmo de vida, eu ofereço meu Ser, minha alma, meu coração, minha mente, meus olhos e minhas mãos à condução da força da vida. Peço que oriente meu caminho, meus passos e minha percepção para que todas as minhas ações tragam sempre alegria e abundância!



25 de abr. de 2013

O lambari da horta e os alimentos que se perderam no tempo, por HANNY GUIMARÃES.

O lambari da horta e os alimentos que se perderam no tempo 21:10, 19 DE ABRIL DE 2013 HANNY GUIMARÃES

Quando a pesquisadora Cristina Maria de Castro disse que me mostraria “o peixinho”, logo procurei por um tanque de piscicultura na área onde está instalado o Polo Regional da Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (Apta), em Pindamonhangaba, no Vale do Paraíba. No entanto, nos aproximamos mesmo da horta, onde a engenheira agrônoma desenvolve um trabalho de resgate de espécies não-convencionais de hortaliças.



Ela aponta para a folha de cor verde e peludinha, quase coberta pelo adubo orgânico que ajuda no desenvolvimento, e conta que a planta é conhecida como lambari da horta, porque é assim que é preparada na região, exatamente como um peixinho frito. “Empanada e fritinha fica uma delícia”, diz. Além da erva, Cristina cultiva por ali vinagreira e azedinha – que não são a mesma coisa – cará moela, taioba, mangarito, ora-pro-nóbis e muitas outras que fogem da memória e até mesmo do vocabulário. “Chamamos de não-convencionais, porque estão deixando de ser produzidas e, consequentemente, consumidas. Estão sendo substituídas por variedades de maior apelo comercial, mas tem enorme importância na alimentação e cultura locais”, explica a pesquisadora.




Na tentativa de reinserir esse tipo de hortaliça na produção da região, Cristina leva um grupo de alimentação saudável em que participa, além de produtores orgânicos, para visitar a horta do centro de pesquisa sempre que possível. Lá, apresenta os alimentos e usos que podem ser feitos deles. Dessa forma, também incentiva o consumo e os mantêm vivos na memória e na panela.


 

Lambari da horta empanado
Ingredientes
Folhas de lambari da horta
1 xícara de fubá
1 ovo
Sal a gosto Pimenta-do-reino a gosto
Óleo para fritar

Preparo Lave bem as folhas, enxugue e reserve. Em um prato, coloque o ovo, o sal e a pimenta-do-reino, misturando tudo, rapidamente, com a ajuda de um garfo. Em outro, coloque o fubá. Passe as folhas, uma a uma, na mistura de ovo, depois no fubá e frite em óleo quente. Retire quando estiverem douradas e crocantes e sirva ainda quentinhas. Vai bem com um molhinho de pimenta.
 (Fotos: Hanny Guimarães/Arq. pessoal)

28 de mar. de 2013

Projeto Rio Sesmaria convida


Projeto resgata feijão guandu no Vale do Paraíba


Sustentabilidade: Produto entra no cardápio da iniciativa “Retratos do Gosto”, lançada por Alex Atala. Projeto resgata feijão guandu no Vale do Paraíba; Bettina Barros. De Pindamonhangaba (SP)




Ele tem cor e forma de uma lentilha, mas é um feijão.  Desconhecido de grande parte dos brasileiros, o feijão guandu pode sair do anonimato com a chegada ao cardápio de grandes chefs de cozinha que provaram e gostaram dessa variedade que começa a ser resgatada no Vale do Paraíba, em São Paulo.

Mais que o apelo de ser um produto "novo" nos restaurantes, o resgate do feijão guandu tem por trás um forte componente social e ambiental.  O primeiro lote experimental, de 300 quilos, inaugura a sua participação no "Retratos do Gosto", projeto lançado há um ano pelo chef Alex Atala como tentativa de resgatar produtos do campo que foram esquecidos no tempo - ou preteridos por culturas comercialmente mais rentáveis do agronegócio.  E ainda fomentar pequenos produtores, preferencialmente próximos à capital paulista, na esteira de um movimento gourmet global de compra de alimentos frescos e de origem conhecida.

O feijão é o quarto produto do "Retratos", que estreou com uma variedade de miniarroz também do Vale do Paraíba, o cacau Pará-Parazinho produzido na Bahia (originário da Amazônia e hoje raro no país) e uma farinha de milho caipira da região de Lindoia.

Diferentemente dos outros, porém, sua produção tem benefícios extras: o guandu está sendo plantado no sistema agroflorestal, que mistura culturas agrícolas com culturas florestais de valor comercial.  Na Fazenda Coruputuba, em Pindamonhangaba, onde a experiência está sendo realizada, o guandu é consorciado com mandioca, banana, araruta (tubérculo usado como farinha e espessante), palmito e o guanandi, árvore da Mata Atlântica que tem uma madeira com alta resistência à agua.

"Queremos mostrar que é possível aos outros agricultores voltar às culturas agrícolas plantadas antes da industrialização da região", afirma Patrick Assumpção, dono da fazenda e entusiasta da formação de uma rede de produtores agroflorestais no Vale do Ribeira.  "O que falta ainda é informação".

Herdeiro da fazenda centenária - um emblema de Pindamonhangaba por sua importância econômica à cidade nos tempos em que ali havia uma fábrica de papel e celulose, vendida nos anos 80 -, Assumpção chegou ao feijão guandu graças à decisão de diversificar a produção de eucalipto até então predominante na Coruputuba e no Vale como um todo.  Após muita pesquisa, apostou na guanandi (Calophyllum brasiliense), que se estendeu dos mangues do Sudeste à serra mineira, e na acácia (Acacia mangium), outra nativa.  Hoje, 28 hectares da fazenda estão cobertos pelo guanandi, 50 pela acácia e outros 50 hectares com plantação de eucalipto.

O consórcio com outras plantas teve início há dois anos, no âmbito do programa de pós-graduação do pesquisador Antonio Device, da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), e funcionário da Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (APTA), ligada à Secretaria de Agricultura.  Assumpção entrou com terra e disposição.  O custeio do plantio é da APTA e as análises de solo e físico-químicas são feitas nas instalações da UFRRJ.

A árvore escolhida foi o guanandi.  Assumpção tem lotes com guanandis "solteiros" e "casados" com pão-viola, imbiruçu, aroeira e angico preto e branco, além das variedades agrícolas, sendo a mandioca, o palmito, a araruta e o guandu as mais promissoras.  Mais recentemente, introduziu árvores de frutas menos populares, como o umbu.  "Estamos testando para ver se são economicamente viáveis aqui", diz o empresário-produtor.

Segundo ele, o ambiente saudável propiciado por essa diversidade, associado ao manejo correto (o espaçamento necessário entre as mudas, o raleio para evitar competição por sol), antecipou o corte do guanandi em dois anos.  Assim, ele recebe mais cedo com a venda da madeira, seu ganha-pão, mas usufrui de mais opções comerciais.

"Vi o que o pessoal do Retratos estava fazendo e fui atrás.  Eu também tenho resgatado culturas agrícolas", diz.  Da ligação telefônica resultou o primeiro embarque de guandu no início de março.  





"Nos pareceu um produto interessante porque pode mudar a realidade local", diz Bruno Zucato, gestor da Mie Brasil, empresa que desenvolve marcas na área de alimentos e parceira essencial ao "Retratos do Gosto".  "Essa iniciativa deve incentivar os produtores vizinhos a investir no sistema agroflorestal e fortalecer a rede".

Nas mãos da Mie, o feijão de Pindamonhangaba ganhará embalagem apropriada, rótulo e logotipo que permitirão a sua entrada nos dois pontos de venda do projeto - o Santa Luzia e a loja do restaurante Lá da Venda, da chef e escritora Heloisa Bacellar, em São Paulo.

Segundo Zucato, a proposta é sempre associar o produto a um chef que tenha ligação com o campo.  Preço combinado - acima do praticado no mercado, diz Assumpção -, a condição para manter a parceria é que 25% do lucro líquido das vendas seja direcionado pelos produtores a programas sociais ou de assistência técnica.


Jornal Valor Econômico - CAD B - EMPRESAS - 26/3/2013 (21:5) - Página 15

6 de mar. de 2013

IPEMA promove Curso de Habitações Sustentáveis com Marcelo Bueno


Oportunidade: Curso de Habitações Sustentáveis
A Permacultura é uma poderosa ferramenta para se atingir a sustentabilidade necessária para a nossa sobrevivência no planeta neste novo milênio.
Este curso oferece um despertar para práticas simples de planejamento onde você possa utilizar em sua casa, na sua vida e começar a caminhar em busca da sustentabilidade ecológica.
O curso visa a capacitar as pessoas para projetarem e reformarem suas casas, para que se tornem o mais sustentável possível, mesmo vivendo em uma cidade. Fonte: IPEMA