7 de mai. de 2022

Namastê: Um espalhador de boas ideias.

Relato da atividade: 
Planejamento Participativo de Sistemas Agroflorestais Agroecológicos 
Instrutor Namastê Messerschmidt 
28/04-01/05 no Assentamento Egídio Brunetto em Lagoinha-SP

Por: José Miguel Garrido Quevedo e Leandro Braz Camillo

Foi uma grata surpresa, chegar na sexta feira bem a noite na Escola Popular de Agroecologia  Ana Primavesi no Assentamento Egídio Brunetto em Lagoinha e ver a sede iluminada. Ser recebido pela Evelin com uma sopa, feita pela Xuxu, recarregou as forças da viagem cansativa. Ver os quartinhos
ocupados com barracas protegidos da chuva e vento frio foi acolhedor.

Pela manhã, acordamos com o cheiro do café feito no forno a lenha pelo companheiro Dimes. Logo
mais, chegou os pães integrais que nos sustentariam o dia feitos com carinho pela Dani.

E como começou a chegar gente, fomos cerca de 70 participantes. Acomodados nos bancos feitos com capricho pelos companheiros Silvério e Amaro. Encontros e reencontros de uma gente que veio vivenciar momentos de troca de conhecimento e sentimento agroecológico em Sistemas Agroflorestais com o querido instrutor Namastê.


Namastê é discípulo de Ernst Gotsch, iniciou seu caminhar aos 12 anos no Instituto Oca em Goiás.
Auxiliou na formação da Cooperafloresta em Barra do Turvo e nos SAFs no MST no  Assentamento Mário Lago em Ribeirão Preto e o Assentamento Contestado no Paraná.

Muito interessante a dinâmica da apresentação dos participantes. Cada um apresentou seu  colega sentado ao lado como se fosse nós mesmos, a apresentação em poucas palavras do que apreendeu da conversa inicial com o companheiro, proporcionando integração inicial ao grupo.


E iniciamos nossa jornada…. compreender os princípios dos Sistemas Agroflorestais.

Iniciou-se o aprendizado que seria conduzido de uma maneira simples e muito fácil de entender.

Num solo exposto sem vegetação, inicialmente nascem as espécies colonizadoras, tratadas no  curso como plantas de retomada. As colonizadoras têm vida muito curta e têm a função de servir como uma espécie de placenta protetora, as árvores ainda são frágeis como os bebês, necessitando destas plantas criadoras. Sob sua proteção, as pioneiras crescem mais depressa que as secundárias e estas que as climácicas. por isto fazem parte de um mesmo “Sistema Ecológico”. A placenta vai criando
as condições que as pioneiras precisam, as pioneiras para as secundárias e estas para as climácicas, que são as que crescem mais lentamente e tem vida mais longa. Em cada degrau do caminho da sucessão natural, a floresta como um todo também cresce passando do estágio inicial para os estágios médios e depois para o estágio mais avançado, chamado de clímax.

Ocorre, porém, que acoplado a este processo um outro caminha. Trata-se da Sucessão dos Sistemas
Ecológicos. Ao final de cada ciclo, toda a vegetação é sucedida por outra, mais especializada em atuar no degrau mais alto de fertilidade gerado pela vegetação do degrau anterior. Em cada novo degrau de fertilidade, ocorre novamente a sucessão da placenta colonizadora pelas árvores pioneiras, destas pelas secundárias e destas pelas climácicas, da maneira como foi descrito no parágrafo anterior. Por isto, podemos descrever a sucessão como um caminho em espiral que passa várias vezes pelos mesmos lugares, porém em diferentes níveis de fertilidade.

Os organismos florestais, desde a placenta colonizadora, até as pioneiras, secundárias e  climácicas, passam a produzir, nos Sistemas Ecológicos que se seguem a cada renovação, acúmulo de matéria orgânica. Ernst deu o nome de sistemas de lignina aos sistemas compostos por colonizadoras,
pioneiras, secundárias e climácicas que ocorrem quando as condições ainda estão muito degradadas ou a escalada em espiral da sucessão vegetal em direção a fartura e a biodiversidade está muito em seu início. Nestes sistemas, os teores de nitrogênio são mínimos e os de substâncias de  difícil decomposição como as ligninas são máximos.

Nos sistemas, que se seguem aos de lignina, os teores de nitrogênio e de lignina na vegetação são
intermediários, porque já a vida já se estruturou, levando ao máximo o acúmulo de matéria orgânica. Ernst deu a estes sistemas intermediários o nome de sistemas de acumulação, porque eles são  especializados em acumular matéria orgânica e é neles que a matéria orgânica se acumula com maior velocidade.

Os sistemas de abundância se sucedem aos de acumulação. Os teores de nitrogênio na vegetação e
também a velocidade da fotossíntese se aproximam do máximo possível. Os lugares nos quais predominam os sistemas de abundância, chegaram a esta condição, em grande parte, porque passaram por muitos processos de renovação.

O maior nível de fertilidade possibilita a vida de espécies mais exigentes, porém mais eficientes na
produção de matéria orgânica, em todas as fases do processo de sucessão, desde a placenta até as
árvores climácicas. Portanto, o degrau da sucessão que acontecerá na nova clareira acumulará mais
matéria orgânica que o anterior. Além disto, soma-se a herança da matéria orgânica acumulada e
não gasta no degrau anterior.

A estratificação é um processo que ocorre ao mesmo tempo que a sucessão, no qual os organismos
florestais se estruturam em andares, em cada fase e em cada degrau da sucessão natural, para em conjunto captar a energia do sol com maior perfeição.

O estrato de uma planta é o andar que sua copa ocupa no organismo florestal no qual se origina,
quando o organismo florestal atinge a fase da sucessão vegetal a que ela pertence. Por exemplo, se
uma árvore é do estrato alto e do estágio clímax, ela ocupará, no organismo florestal da qual se
origina, o andar alto, quando a sucessão da floresta atingir o estágio clímax. Se a árvore for uma
secundária do estrato médio, ela ocupará o andar médio, quando o organismo florestal atingir o
estágio secundário da sucessão natural.

Podemos observar que, nos organismos florestais, as árvores dos estratos mais altos têm suas copas
muito mais afastadas do que as dos estratos abaixo delas. Desta maneira, quanto mais alto é o estrato, mais ele permite a passagem da luz para os estratos abaixo dele. Ernst Götsch, procurando nos dar uma ideia quantitativa visando a aplicação no manejo dos SAFs Agroecológicos, chegou a fazer estimativas. O estrato emergente permite a passagem de aproximadamente 80% da luz que recebe, o estrato alto 60%, o médio 40% e o baixo 20%.

Namastê nos apresentou o conceito que as porcentagens pode ser entendido como a porcentagem de
ocupação de cada andar, assim as plantas emergentes ocupam 20% do estrato, as de estrato alto ocupam 40% deste andar, as de estrato médio ocupam 60% deste estrato e finalmente as de estrato baixo ocupam 80% deste estrato.

Também é importante considerar que existem ecossistemas mais altos e mais baixos. Isto acontece
devido às diferentes restrições ao crescimento das árvores, principalmente por causa do clima e/ou
do solo de onde se originam. É natural que árvores do estrato alto de florestas baixas sejam mais
baixas do que árvores de estratos inferiores, de florestas muito altas. Para dar um exemplo envolvendo espécies mais conhecidas, citou-se o caso da acerola e do abacateiro. A acerola é uma árvore do estrato alto, porque ocupa o estrato alto em seu ecossistema de origem. Já o abacateiro é do estrato médio, porque ocupa o estrato médio em seu ecossistema de origem. Porém, geralmente o pé de acerola cresce menos do que o abacateiro. Isto porque toda a floresta na qual se originou a acerola cresce menos do que toda a floresta na qual se originou o abacateiro. No entanto, uma acerola nunca será produtiva se estiver debaixo de árvores de estratos mais baixos que o dela, como no caso do abacateiro.

Namastê orientou que a poda deve ser na altura pensando em manter o estrato original da planta.

Os processos de renovação que levam à formação dos sistemas de abundância podem ser muito
intensificados através de podas, sejam podas parciais e realizadas várias vezes por ano, como em
SAFs intensamente manejados, sejam podas totais e realizadas em ciclos como 5, 10, 20, 50 ou 100
anos. Este princípio, de fundamental importância para a prática dos SAFs agroecológicos, foi historicamente utilizado na agricultura tradicional de base agroflorestal praticada por quilombolas e
outras populações tradicionais, que se fundamenta no descanso da terra para a recomposição da
fertilidade, a chamada agricultura de coivara. Esta também foi uma das técnicas que os povos indígenas usaram na geração da chamada “Terra Preta de Índio”. Estes solos, nos quais a matéria orgânica predomina, em camadas que chegam a atingir profundidade superior a dois metros, ainda existem por toda a Amazônia. Estudos arqueológicos e de paleobotânica comprovam que estes solos se originaram devido à ação dos povos indígenas. Quando acontece a derrubada de toda a vegetação de uma clareira, uma parte considerável da matéria orgânica é consumida na respiração dos seres vivos. Porém, geralmente a maior parte acaba sendo armazenada tanto no solo como na madeira morta, que fica sobre a terra e é digerida muito lentamente. Além disso, na clareira, o processo de sucessão, se não for impedido, recomeçará num nível de fertilidade muito superior ao anterior.


As sugestões de consórcios apresentadas têm base em experiências concretas e também na vivência
com a aplicação dos conceitos de sucessão e estratificação para a elaboração de consórcios, em um
mesmo canteiro Consórcios baseados na estratificação e sucessão natural otimizam a ocupação dos
nichos ecológicos, produzindo alimentos diversificados para a vida dos solos.


Um exemplo, neste consórcio a percentagem de plantio Emergente foi de 20% com a Crotalária
juncea num espaçamento 20 cm x 1m, levando 45 dias para colher. Estrato Médio ocupado com
Alface crespa ou alface roxa com 60 % de ocupação do terreno, num espaçamento de 20 a 35 cm x
25 a 35 cm igual à monocultura, levando 45 dias para colher. Entre as linhas de alface é plantado o
rabanete ou rúcula (por mudas) ou coentro (por mudas) ocupando 60% do terreno, ocupando o estrato médio, num espaçamento de 25 a 30 cm x 5 a 15 cm igual à monocultura, levando 25 a 30 dias para colher, cultivados ao mesmo tempo em um único canteiro. Esta proposta está otimizada para o alface. A crotalária para adubação verde, colhida com 45 dias, como é emergente, ocupando apenas 20% do seu estrato é benéfica aos estratos inferiores. A base conceitual para sua inclusão foi a estratificação. A inclusão do rabanete ou da rúcula ou do coentro ou de linhas alternadas, uma com cada um deles, foi baseada na sucessão, porque aos 30 dias quando os rabanetes são colhidos, o alface ainda está longe de ter se desenvolvido plenamente. Porém eles precisam ser colhidos aos 30 dias, com raiz e tudo, logo que estejam no ponto, se não passam a atrapalhar o alface, por causa da sombra e da informação de envelhecimento que passam a transmitir.

Um exemplo mostrado por Namastê é o conceito de plantas criadoras, assim como mostra o desenho acima. Uma planta vai sendo criada por outra, não atrapalhando seu desenvolvimento, por ocuparem estratos diferentes.

É possível focar os SAFs na produção de frutas, mas trazendo junto as lavouras anuais e hortaliças também. De forma geral, podemos planejar um SAF deste tipo da seguinte maneira: plantamos as árvores frutíferas no centro de canteiros ou faixas de cerca de um metro de largura, junto com lavouras anuais e árvores para produção de matéria orgânica. Entre os canteiros ou faixas com árvores e lavouras é importante projetar faixas com a largura suficiente para a produção de capins e outros adubos verdes em quantidade suficiente para que os canteiros estejam cobertos o tempo todo. Plantar uma linha de árvores adubadeiras e bananeiras, entre uma linha de árvores frutíferas e outra, facilita o manejo e a produção de matéria orgânica. Árvores e bananas para a produção de matéria orgânica, associa-se plantar árvores com rapidíssimo crescimento e excelente rebrota, além de bananas, para ajudarem a criar as frutíferas Esta linha intermediária, por ser intensamente podada, não atrapalha o  desenvolvimento dos capins das faixas entre as linhas de árvores, possibilitando sua permanência por longo tempo no SAF.

Namastê ainda nos apresentou que costuma-se plantar as frutíferas respeitando-se espécies do estrato emergente com espécies do estrato alto e espécies do estrado médio com o estrato baixo, a fim do sistema agroflorestal não ficar muito alto.

 

A atividade de sala de aula foi alternada com uma aula em campo “A conversa ao pé da planta”


Nela podemos observar aspectos do estágio atual do SAF Comunitário do Assentamento Egídio
Brunetto.

Foi descrito a forma de crescimento da planta da bananeira, que a família apresenta plantas avós,
filhas e netas, originadas do rizoma e o manejo da família de bananeiras, Namastê prefere deixar
duas ou três plantas filhas que originarão os cachos de banana assim que planta avó tenha o cacho
de bananas colhida. E sobre como deve ser o corte do pseudocaule rente ao solo quando a bananeira
tem seu cacho colhido, que deve ser feito o corte côncavo na base do pseudocaule para impedir a
entrada da broca que acumula seiva e que os pseudocaules devem ser cortados em toletes tipo telha
a fim de permitir a fertirrigação das mudas de nativas ou frutíferas do SAF que se quer alimentar e
que este procedimento impede que a broca siga seu ciclo já que os adultos ovopositam seus ovos na
superfície lateral do pseudocaule e as larvas perfuram galerias e atinge o rizoma da planta.



E para completar a experiência, o companheiro Karijó veio puxando a mística com seu tambor,
acompanhado das crianças que seguravam a bandeira do MST, enquanto entoava uma canção que
nos fazia lembrar dos que já não estão mais entre nós e que se tornaram nossos aliados no plano
espiritual.


“- Ê vida vã... ê vida, ê vida vã - ã... O jornal de hoje, é o papel de embrulho de amanhã... Ê vida
vã...”

Finalmente resta agradecer a acolhida dos companheiros do Egídio Brunetto, pela equipe de dona
Celia: Alemão, Banana, Marcela e Andreza pela refeição no primeiro dia e pela equipe da Marcela:
Thaiza, Banana, Karen, Izaq, Dimes e Daniel pela refeição do segundo dia e ao IPESA – Instituto
de Projetos e Pesquisas Socioambientais que nos proporcionaram a maravilhosa vivência.

Observação: O Referencial Técnico deste relato foi compilado do livro Agroflorestando o mundo
do facão a trator, disponível em:
https://www.cooperafloresta.com/_files/ugd/e4b2ec_6f67a1a70da04f54b839e2224c3af5ba.pdf

Imagens: autorizadas pela organização do evento, Leandro Braz Camillo.
edição apra o blog: Antonio Devide 

5 de mai. de 2022

Agrofloresta é tema de Vivências em Designs Sociais no SESC São José dos Campos

DATAS DOS ENCONTROS
De 11/05 a 08/06, quartas, das 19h às 22h.
Auditório do SESC São José dos Campos
Grátis - Senhas no local 30 minutos antes.

SAF no Sítio dos Ipês, Cachoeira Paulista. Fonte: Thales Guedes Ferreira.

VIVÊNCIAS EM DESIGNS SOCIAIS
Ações processuais em arte, cultura e educação em territórios locais que relacionem e articulem iniciativas sociais, economia criativa e produção conjunta de conhecimentos a processos socioculturais.

FACILITAÇÃO: Mariana Pimentel Pereira, camponesa, educadora socioambiental e agroflorestoral. Pós-graduada em Educação Ambiental e Transição para Sociedades Sustentáveis; Economia e Desenvolvimento Agrário, e cofundadora da Rede Agroflorestal do Vale do Paraíba


Convidados: Violeta Martinez, Thales Ferreira, José Ferreira Silva Neto, Renata Belzunces e Thais Rodrigues da Silva/CSA Guajuvira.

Proposta formativa que conta com duas linhas temáticas:
- Designs Sociais enquanto investigação e experiência, envolvendo ciência comunitária e a formação de corredores socioculturais de conservação ambiental; e
- Designs Sociais  enquanto práticas em etnobiodiversidade, Sistemas Agroflorestais e Educação Popular, cadeias produtivas com plantas nativas e transição agroecológica.

TEMAS DOS ENCONTROS

1. Sustentabilidade e Bem-Viver e Transição Agroecológica: possibilidades de agricultura alternativa com Violeta Martinez, engenheira agrônoma e produtora rural.

2. Agrofloresta para sociedades sustentáveis. Possibilidades de agricultura alternativa com Violeta Martinez, engenheira agrônoma e produtora rural. Com a presença de Thales Ferreira, biólogo e produtor rural.

3. Etnobiodiversidade e soberania alimentar. Com a presença de José Ferreira da Silva Neto, agricultor agroecológico e produtor rural.

4. Economia sustentável: cadeias produtivas. Com a presença de Renata Belzunces/DIEESE e doutora em integração da América Latina.

5. Economia Criativa: grupos de consumo responsável. Com a presença de Thais Rodrigues da Silva/CSA Guajuvira.

 
   
Violeta Martinez e Thales Ferreira

 
José Ferreira e Renata Belzunces
 
Thais Rodrigues

3 de mai. de 2022

2ª Reunião da Rede Agroflorestal - 2022

Terça feira, 03 de maio das 18:00 até 19:30h. 


Link da videochamada: https://meet.google.com/nyy-cnkj-gax?authuser=0

Programação: 

  • Apresentações
  • Informes
    • Leitura das Memórias da 1ª Reunião
    • PLEAPO - PLANO ESTADUAL DE AGROECOLOGIA DE SP - facilitador/articulista pesquisador Clóvis José Fernandes do Instituto de Botânica/IPA e um dos fundadores da Rede Agroflorestal
    • Objetivo: articular a participação do Vale do Paraíba na construção do PLEAPO
  • Avaliação e encaminhamentos


27 de abr. de 2022

1ª Formação em CSA do Vale do Paraíba

Por
Bruna Tau 
Co-agricultora da CSA Guajuvira

No último feriado (21-24/Abril/2022) tivemos a 1ª Formação em CSA do Vale do Paraíba! Foram 4 dias de formação no Sítio Ecológico dentro do assentamento Nova Esperança aqui em SJC, tudo organizado pelo balaio de CSAs do Vale do Paraíba. 


Os coordenadores Nacionais da CSA Claudia e Wagner estiveram presentes contando a história desde quando a CSA veio da Alemanha para o Brasil e através de aulas teóricas e vivências passamos por toda base filosófica e metodológica de como é a formação de uma CSA.


Na Quinta tivemos a presença da Valéria Pascoal, uma das fundadoras da CSA Brasil, falando sobre saúde numa aula bastante interativa com os participantes.


Na sexta fizemos visitas aos sítios onde estão as CSAs Pindorama e Sítio Ecológico, conhecendo as atividades dos agricultores de perto.

Já no Sábado a tarde tivemos a presença da agrônoma Luciana falando sobre planejamento de produção, uma ferramenta extremamente importante para as CSAs.


Finalizamos o 4º e último dia com uma noite cultural animada em volta da fogueira conversando sobre a história do assentamento do MST, Nova Esperança e violão.


Agradecemos toda colaboração voluntária que tivemos, seja com algum valor, com alimentos, na cozinha ou na organização de todo operacional. Foram aproximadamente 40 pessoas! Participantes de vários lugares. Teve gente de Tremembé, Lagoinha, Monteiro, São Luís do Paraitinga, Taubaté, Pinda, Piracicaba, Sul de Minas e São José dos Campos. Algumas pessoas já eram coagricultoras, outras agricultoras e outras queriam conhecer o conceito de CSA pra fundar novas CSAs ou simplesmente conhecer o que é uma CSA.

Agradecemos também o Sindicato dos Petroleiros de São José dos Campos e região que deram um aporte financeiro e de estrutura para que este encontro acontecesse. 

@csa_brasil 
#sjc #agroecologiafamiliar #csabrasil #saojosedoscampos

Organização: Thais Rodrigues da Silva  - CSA Guajuvira e equipe do Assentamento Nova Esperança
Imagens: Doni Firmino, Thais Rodrigues da Silva e Bruna

19 de abr. de 2022

1º Encontro de restauradores da paisagem de Pindamonhangaba

Por
Luis Fernando Souza de Oliveira - Engº Agrônomo, bolsista Fapesp
Antonio Carlos Pries Devide - Pesquisador da APTA

A restauração de áreas degradadas por meio dos SAF - Sistemas agroflorestais com o uso de árvores frutíferas nativas e plantas alimentícias não convencionais (PANC) está em crescente evolução no Vale do Paraíba paulista.

 

Figs. 1 e 2. Produção de PANC, destaque para os rizomas tropicais e sementes diversas para SAF.

A Rede Agroflorestal do Vale do Paraíba tem sido importante no fomento da restauração de áreas por meio dos mutirões agroflorestais que unem pessoas de diferentes origens. O ‘estudo da paisagem’ e o ‘aprender fazendo’ são métodos de trabalho que despertam a sensibilidade para a análise do ambiente e o aprendizado prático insere as pessoas na restauração através do manejo agroflorestal.

A APTA - Unidade Regional de Pesquisa e Desenvolvimento de Pindamonhangaba (Polo Regional) também trabalha para fortalecer a Rede Agroflorestal por meio de projetos, cursos, oficinas, dias de campo, mutirões e informações técnicas de pesquisas como subsídios à implantação de SAF.

 

Figs. 3 e 4. Rizomas tropicais em SAF com gliricídia, linhas externas com banana e ora-pro-nóbis. 

Os SAF e a Segurança Alimentar e Nutricional são temas trabalhados em conjunto nas pesquisas. O uso das PANC na alimentação e o resgate de espécies alimentícias negligenciadas visa contribuir na promoção da alimentação equilibrada e saudável, rica em fontes de fibras, proteínas e minerais.

Figs. 5 e 6. Cultivo de amendoim amazônico, detalhe dos frutos com sementes ricas em ômega 3, 6 e 9. 

Valorizar as espécies alimentícias e as frutas nativas do bioma Mata Atlântica nos projetos de restauração com SAF também fortalece a geração de renda e a valorização das propriedades rurais com um paisagismo regenerativo que fortalece os corredores ecológicos necessários para a conservação da biodiversidade.

 

Figs. 7 e 8. SAF com araribá, macaúba e frutas nativas e suas contribuições como corredor ecológico.

O incentivo ao cultivo de frutas nativas deve aumentar a demanda por uma área equipada para o processamento dos alimentos, pois algumas frutas, como a palmeira juçara e a uvaia, necessitam ser despolpadas para o uso e a comercialização, gerando renda aos produtores rurais

 

Fig. 9. Cerca viva de pitanga em plantio direto 

É nesse sentido que se desenvolve o projeto Sistemas Agroflorestais (SAF) com Frutas Nativas e Segurança Alimentar e Nutricional (SAN) em Pindamonhangaba – SP”, executado pela APTA e Corredor Ecológico do Vale do Paraíba, com financiamento da empresa ‘Performance Specialty Products do Brasil Serviços e Comércios de Produtos Eletrônicos e de Proteção e Segurança Ltda.’ (‘Dupont’), para fortalecer a Rede Agroflorestal. Conta com o apoio da Prefeitura Municipal (Secretaria de Meio Ambiente) e do Governo do Estado (Secretaria de Infraestrutura e Meio Ambiente). 

São objetivos do projeto: 

  • fortalecer a Rede Agroflorestal do Vale do Paraíba
  • realizar oficinas de sensibilização para proprietários rurais
  • pesquisar a agrobiodiversidade em propriedades rurais
  • implantar SAF com ênfase em frutas nativas e PANC em propriedades rurais
  • elaborar o planejamento individual das propriedades rurais (PIP)
  • elaborar uma cartilha sobre o manejo e licenciamento ambiental dos SAF na propriedade rural
  • reformar uma área da APTA para implantação de uma cozinha experimental 
  • iniciar a pesquisa sobre produção e processamento de frutas nativas e PANC em conjunto com  os produtores rurais

No que diz respeito ao incentivo do processamento de alimentos, o apoio do projeto deve buscar adequar as instalações da APTA para receber equipamentos adquiridos pelo Instituto Auá, no âmbito do edital Ecoforte da Fundação Banco do Brasil. Esses equipamentos foram direcionados para a Rede Agroflorestal, para fomentar, através da APTA, a pesquisa aplicada e a capacitação de agricultores familiares. A pesquisa deve identificar as áreas de produção, as espécies nativas e exóticas utilizadas, a produção de frutos e outros dados de plantios, colheitas e processamento, a qualidade das sementes e do alimento, a produção de mudas, dentre outros aspectos.

Fig. 10.  Confraternização na cozinha experimental para o processamento de frutas nativas e PANC.

Atividade de sensibilização do 1º Encontro de restauradores

Ocorreu na APTA, em Pindamonhangaba, um encontro envolvendo 20 pessoas, entre técnicos e proprietários rurais que visitaram pela primeira vez os sistemas de produção de base agroecológica, onde conheceram diversas PANC, frutas nativas, adubos verdes e sistemas de produção, com destaque para os SAF produtivos e com foco na restauração de áreas de proteção permanente (APP), implantados em mutirão agroflorestal, por meio de mudas e através da semeadura direta (muvuca) entorno do ano de 2013. Além disso, participaram de atividade prática.

Prática de manejo agroflorestal

A prática de manejo agroflorestal foi realizada em uma área experimental implantada em parceria com a Urbam de São José dos Campos no ano de 2021 e consistiu no plantio de uvaia, açafrão e feijão de porco. 

 
Figs. 11 e 12. Corte do feijão de porco, plantio de uvaia e açafrão na faixa interna entre as bananeiras.

Descrição da área experimental

Linhas com bananeira BRS Princesa (tipo maçã) espaçadas 5,0x2,5m, intercalada na linha com mamona Paraguaçú em associação com as arbóreas exótica gliricídia e nativa eritrina mulungu,  avaliadas em parcelas separadas quanto ao crescimento e aporte de fitomassa em poda (adubo verde)

Nas entrelinhas da banana o feijão de porco (adubo verde) foi cortado e ressemeado junto com o plantio de mudas de uvaia plantadas a cada 5,0m, associadas de cada lado com uma fileira de açafrão.

Fig. 13. Croqui do SAF simplificado para pesquisa do manejo de arbóreas para adubação verde.

Dados do 1º Encontro de restauradores da paisagem de Pindamonhangaba-SP

  • Local: APTA - URPD Pindamonhangaba (Polo Regional)
  • Data: 13/04/2022
  • Horário: 7:30-12:00 h
  • Programação:
  • 7:30-8:00 h -Acolhimento e café colaborativo
  • 8:00-9:00 h -Corredor Ecológico e Serviços Ecossistêmicos (Corredor Ecológico)
  • 9:00-10:00h -Visita ao Banco de Matrizes e Mudas de PANC - PqC. Cristina Castro, APTA/SAA
  • 10:00-11:00h -Modelos de Sistemas Agroflorestais com Frutas Nativas - PqC Antonio Devide, APTA/SAA; Engº Agrº Luis Fernando Sousa
  • 11:00-11:30h - Avaliação e Encerramento
  • Degustação de alimentos da Mata Atlântica compartilhados por todos contendo sucos de polpa de juçara e de cajá, chá de capim limão, combuchas diversas, café do Vale do Paraíba, pão de abóbora, geleia de beterraba com especiarias, castanha de amendoim amazônico dentre outros alimentos. 

Fig. 14. Produtos locais do lanche compartilhado pelos participantes.


Participantes: 

  • Proprietários Rurais - Pedro Magalhães, Aline Lopes, Eleandra Plosch, Andreas Plosch, Marcelo Rebellato, Ana Paula do Amaral, Gabriel Bustamante Souza, Marcielle Monize, Luciano Costa, Irineu Pinto.
  • APTA - Antonio Devide, Cristina Castro, Luis Fernando Oliveira.
  • Corredor Ecológico - João Vitor Mariano, Giovana Neves, Carlos Silvestre.
  • Instituto Auá - Thiago Mônaco e Adrian Pereira.
  • IA3 - Flavia Tiaki.

Imagens: Luis Souza Oliveira, Giovana Neves, Antonio Devide, Carlos Silvestre, Luciano Souza.

Edição para o blog: Antonio Devide - pesquisador da APTA

Fig. 15. Equipe de trabalho do projeto Sistemas Agroflorestais (SAF) com Frutas Nativas e Segurança Alimentar e Nutricional (SAN) em Pindamonhangaba – SP.

14 de abr. de 2022

Cartografia Biogeográfica e da Paisagem

LANÇAMENTO: 

O livro Cartografia Biogeográfica e da Paisagem Vol.III, organizado pelo Prof Eduardo Salinas Chavéz e Leonice Seolin Dias, está disponível gratuitamente no site:  

https://www.estantedaanap.org/product-page/cartografia-biogeogr%C3%A1fica-e-da-paisagem-volume-iii

O capítulo 11 intitulado: 

"Estudos de representações cartográficas de riscos de desastres socioambientais a partir de informações cidadãs", de autoria: Débora Olivato, Humberto Gallo Junior, Fabio L. Pincinato e Izabela de Souza, encontra-se entre as páginas 247 à 266. E apresenta algumas técnicas para levantar e cartografar informações referentes às percepções e vivências dos cidadãos/ãs sobre ameaças e riscos socioambientais do lugar onde residem. 

Os três estudos demonstram a viabilidade  de registrar as informações e promover espaços de diálogos e aprendizagens conjuntas- sociedade-técnicos - pesquisadores.

Boa leitura! Abraço

Débora Olivato

12 de abr. de 2022

MANEJO DE PODA PARA CONTROLE DO ÁCARO DA LICHIA

Dia de Campo na Unidade Demonstrativa Agroecológica – Sítio Benvinda Conatti, no Projeto de Assentamento Conquista em Tremembé da companheira Deise Alves.

Por: José Miguel Garrido Quevedo, Perito Federal Agrário do INCRA SP

A Cooperativa Mista de Agricultores de Tremembé e Região vêm se esforçando para incentivar a Transição Agroecológica de seus cooperados. 

O Objetivo da Unidade Demonstrativa Agroecológica é propiciar caminhos buscando esta transição, particularmente na instalação de Sistemas Agroflorestais. Assim foi instalado a unidade demonstrativa apoiada pelo Instituto Auá, visando o manejo de Sistemas Agroflorestais com ênfase na Restauração, mas também com foco na produção de citros, lichia e frutíferas nativas, tais como uvaia, cambuci, grumixama, cereja do rio grande, jabuticaba e as espécies nativas para madeira, como o guanandi, louro pardo, ipês, mognos e a exótica eucalipto. 

O Projeto é financiado pela Fundação Banco do Brasil - FBB, que forneceu os fertilizantes Yoorin, Ekosil, calcário, além de farinha de osso, composto pró-vaso e adubos nitrogenados torta de mamona e N organ; as sementes de adubo verde feijão de porco, feijão guandu, crotalária, nabo forrageiro e girassol, além do preparo de solo.

Já a TNC (The Nature Conservancy) proporcionou o plantio por muvuca, onde o solo foi preparado por meio de gradagens a fim de controlar a braquiária e deixar o solo solto. Depois foi passado o tratorito fazendo linhas em sulco num espaçamento de três metros para permitir que se fizesse a passada de roçadeira para incorporar matéria orgânica na linha. Nesta linha de plantio foi semeado as sementes de 80 espécies de nativas, mais os adubos verdes guandu, feijão de porco e crotalária, além de milho e abóbora. Na lateral destas linhas foi plantado manivas de mandioca.

O grande desafio desta agricultora é tornar o carro chefe do lote, o produção de Lichia, orgânico. O convívio com o ácaro da erinose e o tratamento com homeopatia e a adubação orgânica vem sendo o manejo aplicado. Este ano vai ser realizado o manejo da poda que até os dias atuais vêm se mostrando como o melhor forma de controle para a infestação pelo ácaro da erinose da lichia. Trata-se da poda preventiva e poda de controle permitindo que a atividade da lichicultura seja conduzida de forma satisfatória.


Takanoli Tokunaga: engenheiro agrônomo aposentado, diretor por vários anos do Núcleo de Produção de Mudas de São Bento de Sapucaí do Departamento de Sementes, Mudas e Matrizes (DSMM), da Coordenadoria de Desenvolvimento Rural Sustentável (CATI-CDRS) da Secretaria de Agricultura e Abastecimento, foi o introdutor da Atemoia no Estado de São Paulo.