19 de abr. de 2022

1º Encontro de restauradores da paisagem de Pindamonhangaba

Por
Luis Fernando Souza de Oliveira - Engº Agrônomo, bolsista Fapesp
Antonio Carlos Pries Devide - Pesquisador da APTA

A restauração de áreas degradadas por meio dos SAF - Sistemas agroflorestais com o uso de árvores frutíferas nativas e plantas alimentícias não convencionais (PANC) está em crescente evolução no Vale do Paraíba paulista.

 

Figs. 1 e 2. Produção de PANC, destaque para os rizomas tropicais e sementes diversas para SAF.

A Rede Agroflorestal do Vale do Paraíba tem sido importante no fomento da restauração de áreas por meio dos mutirões agroflorestais que unem pessoas de diferentes origens. O ‘estudo da paisagem’ e o ‘aprender fazendo’ são métodos de trabalho que despertam a sensibilidade para a análise do ambiente e o aprendizado prático insere as pessoas na restauração através do manejo agroflorestal.

A APTA - Unidade Regional de Pesquisa e Desenvolvimento de Pindamonhangaba (Polo Regional) também trabalha para fortalecer a Rede Agroflorestal por meio de projetos, cursos, oficinas, dias de campo, mutirões e informações técnicas de pesquisas como subsídios à implantação de SAF.

 

Figs. 3 e 4. Rizomas tropicais em SAF com gliricídia, linhas externas com banana e ora-pro-nóbis. 

Os SAF e a Segurança Alimentar e Nutricional são temas trabalhados em conjunto nas pesquisas. O uso das PANC na alimentação e o resgate de espécies alimentícias negligenciadas visa contribuir na promoção da alimentação equilibrada e saudável, rica em fontes de fibras, proteínas e minerais.

Figs. 5 e 6. Cultivo de amendoim amazônico, detalhe dos frutos com sementes ricas em ômega 3, 6 e 9. 

Valorizar as espécies alimentícias e as frutas nativas do bioma Mata Atlântica nos projetos de restauração com SAF também fortalece a geração de renda e a valorização das propriedades rurais com um paisagismo regenerativo que fortalece os corredores ecológicos necessários para a conservação da biodiversidade.

 

Figs. 7 e 8. SAF com araribá, macaúba e frutas nativas e suas contribuições como corredor ecológico.

O incentivo ao cultivo de frutas nativas deve aumentar a demanda por uma área equipada para o processamento dos alimentos, pois algumas frutas, como a palmeira juçara e a uvaia, necessitam ser despolpadas para o uso e a comercialização, gerando renda aos produtores rurais

 

Fig. 9. Cerca viva de pitanga em plantio direto 

É nesse sentido que se desenvolve o projeto Sistemas Agroflorestais (SAF) com Frutas Nativas e Segurança Alimentar e Nutricional (SAN) em Pindamonhangaba – SP”, executado pela APTA e Corredor Ecológico do Vale do Paraíba, com financiamento da empresa ‘Performance Specialty Products do Brasil Serviços e Comércios de Produtos Eletrônicos e de Proteção e Segurança Ltda.’ (‘Dupont’), para fortalecer a Rede Agroflorestal. Conta com o apoio da Prefeitura Municipal (Secretaria de Meio Ambiente) e do Governo do Estado (Secretaria de Infraestrutura e Meio Ambiente). 

São objetivos do projeto: 

  • fortalecer a Rede Agroflorestal do Vale do Paraíba
  • realizar oficinas de sensibilização para proprietários rurais
  • pesquisar a agrobiodiversidade em propriedades rurais
  • implantar SAF com ênfase em frutas nativas e PANC em propriedades rurais
  • elaborar o planejamento individual das propriedades rurais (PIP)
  • elaborar uma cartilha sobre o manejo e licenciamento ambiental dos SAF na propriedade rural
  • reformar uma área da APTA para implantação de uma cozinha experimental 
  • iniciar a pesquisa sobre produção e processamento de frutas nativas e PANC em conjunto com  os produtores rurais

No que diz respeito ao incentivo do processamento de alimentos, o apoio do projeto deve buscar adequar as instalações da APTA para receber equipamentos adquiridos pelo Instituto Auá, no âmbito do edital Ecoforte da Fundação Banco do Brasil. Esses equipamentos foram direcionados para a Rede Agroflorestal, para fomentar, através da APTA, a pesquisa aplicada e a capacitação de agricultores familiares. A pesquisa deve identificar as áreas de produção, as espécies nativas e exóticas utilizadas, a produção de frutos e outros dados de plantios, colheitas e processamento, a qualidade das sementes e do alimento, a produção de mudas, dentre outros aspectos.

Fig. 10.  Confraternização na cozinha experimental para o processamento de frutas nativas e PANC.

Atividade de sensibilização do 1º Encontro de restauradores

Ocorreu na APTA, em Pindamonhangaba, um encontro envolvendo 20 pessoas, entre técnicos e proprietários rurais que visitaram pela primeira vez os sistemas de produção de base agroecológica, onde conheceram diversas PANC, frutas nativas, adubos verdes e sistemas de produção, com destaque para os SAF produtivos e com foco na restauração de áreas de proteção permanente (APP), implantados em mutirão agroflorestal, por meio de mudas e através da semeadura direta (muvuca) entorno do ano de 2013. Além disso, participaram de atividade prática.

Prática de manejo agroflorestal

A prática de manejo agroflorestal foi realizada em uma área experimental implantada em parceria com a Urbam de São José dos Campos no ano de 2021 e consistiu no plantio de uvaia, açafrão e feijão de porco. 

 
Figs. 11 e 12. Corte do feijão de porco, plantio de uvaia e açafrão na faixa interna entre as bananeiras.

Descrição da área experimental

Linhas com bananeira BRS Princesa (tipo maçã) espaçadas 5,0x2,5m, intercalada na linha com mamona Paraguaçú em associação com as arbóreas exótica gliricídia e nativa eritrina mulungu,  avaliadas em parcelas separadas quanto ao crescimento e aporte de fitomassa em poda (adubo verde)

Nas entrelinhas da banana o feijão de porco (adubo verde) foi cortado e ressemeado junto com o plantio de mudas de uvaia plantadas a cada 5,0m, associadas de cada lado com uma fileira de açafrão.

Fig. 13. Croqui do SAF simplificado para pesquisa do manejo de arbóreas para adubação verde.

Dados do 1º Encontro de restauradores da paisagem de Pindamonhangaba-SP

  • Local: APTA - URPD Pindamonhangaba (Polo Regional)
  • Data: 13/04/2022
  • Horário: 7:30-12:00 h
  • Programação:
  • 7:30-8:00 h -Acolhimento e café colaborativo
  • 8:00-9:00 h -Corredor Ecológico e Serviços Ecossistêmicos (Corredor Ecológico)
  • 9:00-10:00h -Visita ao Banco de Matrizes e Mudas de PANC - PqC. Cristina Castro, APTA/SAA
  • 10:00-11:00h -Modelos de Sistemas Agroflorestais com Frutas Nativas - PqC Antonio Devide, APTA/SAA; Engº Agrº Luis Fernando Sousa
  • 11:00-11:30h - Avaliação e Encerramento
  • Degustação de alimentos da Mata Atlântica compartilhados por todos contendo sucos de polpa de juçara e de cajá, chá de capim limão, combuchas diversas, café do Vale do Paraíba, pão de abóbora, geleia de beterraba com especiarias, castanha de amendoim amazônico dentre outros alimentos. 

Fig. 14. Produtos locais do lanche compartilhado pelos participantes.


Participantes: 

  • Proprietários Rurais - Pedro Magalhães, Aline Lopes, Eleandra Plosch, Andreas Plosch, Marcelo Rebellato, Ana Paula do Amaral, Gabriel Bustamante Souza, Marcielle Monize, Luciano Costa, Irineu Pinto.
  • APTA - Antonio Devide, Cristina Castro, Luis Fernando Oliveira.
  • Corredor Ecológico - João Vitor Mariano, Giovana Neves, Carlos Silvestre.
  • Instituto Auá - Thiago Mônaco e Adrian Pereira.
  • IA3 - Flavia Tiaki.

Imagens: Luis Souza Oliveira, Giovana Neves, Antonio Devide, Carlos Silvestre, Luciano Souza.

Edição para o blog: Antonio Devide - pesquisador da APTA

Fig. 15. Equipe de trabalho do projeto Sistemas Agroflorestais (SAF) com Frutas Nativas e Segurança Alimentar e Nutricional (SAN) em Pindamonhangaba – SP.

14 de abr. de 2022

Cartografia Biogeográfica e da Paisagem

LANÇAMENTO: 

O livro Cartografia Biogeográfica e da Paisagem Vol.III, organizado pelo Prof Eduardo Salinas Chavéz e Leonice Seolin Dias, está disponível gratuitamente no site:  

https://www.estantedaanap.org/product-page/cartografia-biogeogr%C3%A1fica-e-da-paisagem-volume-iii

O capítulo 11 intitulado: 

"Estudos de representações cartográficas de riscos de desastres socioambientais a partir de informações cidadãs", de autoria: Débora Olivato, Humberto Gallo Junior, Fabio L. Pincinato e Izabela de Souza, encontra-se entre as páginas 247 à 266. E apresenta algumas técnicas para levantar e cartografar informações referentes às percepções e vivências dos cidadãos/ãs sobre ameaças e riscos socioambientais do lugar onde residem. 

Os três estudos demonstram a viabilidade  de registrar as informações e promover espaços de diálogos e aprendizagens conjuntas- sociedade-técnicos - pesquisadores.

Boa leitura! Abraço

Débora Olivato

12 de abr. de 2022

MANEJO DE PODA PARA CONTROLE DO ÁCARO DA LICHIA

Dia de Campo na Unidade Demonstrativa Agroecológica – Sítio Benvinda Conatti, no Projeto de Assentamento Conquista em Tremembé da companheira Deise Alves.

Por: José Miguel Garrido Quevedo, Perito Federal Agrário do INCRA SP

A Cooperativa Mista de Agricultores de Tremembé e Região vêm se esforçando para incentivar a Transição Agroecológica de seus cooperados. 

O Objetivo da Unidade Demonstrativa Agroecológica é propiciar caminhos buscando esta transição, particularmente na instalação de Sistemas Agroflorestais. Assim foi instalado a unidade demonstrativa apoiada pelo Instituto Auá, visando o manejo de Sistemas Agroflorestais com ênfase na Restauração, mas também com foco na produção de citros, lichia e frutíferas nativas, tais como uvaia, cambuci, grumixama, cereja do rio grande, jabuticaba e as espécies nativas para madeira, como o guanandi, louro pardo, ipês, mognos e a exótica eucalipto. 

O Projeto é financiado pela Fundação Banco do Brasil - FBB, que forneceu os fertilizantes Yoorin, Ekosil, calcário, além de farinha de osso, composto pró-vaso e adubos nitrogenados torta de mamona e N organ; as sementes de adubo verde feijão de porco, feijão guandu, crotalária, nabo forrageiro e girassol, além do preparo de solo.

Já a TNC (The Nature Conservancy) proporcionou o plantio por muvuca, onde o solo foi preparado por meio de gradagens a fim de controlar a braquiária e deixar o solo solto. Depois foi passado o tratorito fazendo linhas em sulco num espaçamento de três metros para permitir que se fizesse a passada de roçadeira para incorporar matéria orgânica na linha. Nesta linha de plantio foi semeado as sementes de 80 espécies de nativas, mais os adubos verdes guandu, feijão de porco e crotalária, além de milho e abóbora. Na lateral destas linhas foi plantado manivas de mandioca.

O grande desafio desta agricultora é tornar o carro chefe do lote, o produção de Lichia, orgânico. O convívio com o ácaro da erinose e o tratamento com homeopatia e a adubação orgânica vem sendo o manejo aplicado. Este ano vai ser realizado o manejo da poda que até os dias atuais vêm se mostrando como o melhor forma de controle para a infestação pelo ácaro da erinose da lichia. Trata-se da poda preventiva e poda de controle permitindo que a atividade da lichicultura seja conduzida de forma satisfatória.


Takanoli Tokunaga: engenheiro agrônomo aposentado, diretor por vários anos do Núcleo de Produção de Mudas de São Bento de Sapucaí do Departamento de Sementes, Mudas e Matrizes (DSMM), da Coordenadoria de Desenvolvimento Rural Sustentável (CATI-CDRS) da Secretaria de Agricultura e Abastecimento, foi o introdutor da Atemoia no Estado de São Paulo.

31 de mar. de 2022

1ª Reunião da Rede Agroflorestal - 2022

Terça-feira, 5 de abril · 18:00 até 19:30
Informações de participação do Google Meet
Link da videochamada: https://meet.google.com/zzg-ybta-xde

Programação: 

  • Apresentações: 18-18:30h
  • Informes: 18:30-19:30h
    • Plano de Ação (prioridades e publicação)
    • Formação de Grupos de Trabalho
    • Projetos em andamento em 2022 (Pinda. e Lagoinha)
    • Regimento interno (calendário de oficinas para elaboração)
  • Avaliação e encaminhamentos
Memórias dos diálogos virtuais por whatsapp: 

"Podemos ir trocando impressões sobre a proposta que está nessa imagem. Onde fala Plenária aberta - leia-se: Assembleia Geral. Representantes de Núcleos são pessoas que transitam no território e tem facilidade de atualizar os assuntos que precisam ser de conhecimento público. Muitas vezes nem todas as pessoas conseguem participar. Principalmente para os assentados de reforma agrária. Ter um representante de núcleo articulando um assentamento, uma região, ajuda muito. Por exemplo, o nosso amigo Guilherme Ferrão lá na Mantiqueira, dando um acompanhamento maior nas atividades da Rede, repassando as informações na região que atua, trazendo demandas, impressões..."

"Onde consta Conselho diretor, leia-se: Conselho Deliberativo - está trabalhando para finalizar a institucionalização da Rede. Mas o mais importante nesse processo é a participação de todos na elaboração de um Regimento interno. Muitas questões precisam ser respondidas: Quem é da Rede? O que é preciso para fazer parte da Rede? Precisa criar uma mensalidade? Precisa ter carteirinha? Qualquer pessoa pode falar em nome da Rede? Como a Rede pode se fazer presente nos conselhos municipais? Como podemos elaborar e encaminhar propostas para que políticas públicas de apoio aos SAF sejam criadas em cada município? ..."

"Os GT são Grupos de Trabalho. Muitas atividades já acontecem, mas quase sempre as pessoas não se enxergam como parte de um GT. É importante organizar essas dinâmicas e estabelecer padrões (essa palavra não é muito boa). Por exemplo: pré requisitos para fazer um mutirão - vistoria prévia com facilitadores (agricultorxs e/ou técnicos), avaliação com a pessoa da localidade + estudo da paisagem + definir o foco do SAF + definir se a situação demanda restauração ou já pode iniciar com a produção... metodologia do mutirão: roda de apresentação + acolhimento + cantoria/dança circular + estudo da paisagem + apresentação da proposta de trabalho + formação de equipes + avaliação e calendário de mutirão + almoço + confraternização + troca de sementes e mudas. Não somos tarefistas!!!"

Lista de pessoas que confirmaram a presença: 

- Antonio
-Guilherme
- Marcielle
- Ana
- Goura
- Oliver
- Renata Egydio
- Doni
- Pedro/São Luiz do Paraitinga - Sítio Flor da Rainha
- Guilherme Ferrão
- Cacau
- Rogério Rabelo
- Leonardo
- José Miguel
- Bruno Pardal
- Isabela
- Valdir Martins
- Lucas Lacaz Ruiz
- Vinícius Favato
- Any Bittar
- Fabio 
- Eduardo Bellesini

23 de mar. de 2022

...é desafiador sair ilesa dos momentos em que olhar e mãos ganham sentido de profundeza.

Por Dábila Cazarotto*

Escrevo porque é desafiador sair ilesa dos momentos em que olhar e mãos ganham sentido de profundeza. 

 

Das caminhadas que meu pensamento faz, eis que mais uma delas ganha realidade na tessitura dos meus dias.

Sim, lá onde o dia começa antes do amanhecer: dormir com a lua de farol na janela aberta, acordar com café e atenção para não pisar em cobra, dividir em pão e palavras a vontade de fazer com que as coisas cresçam e deem certo para todas e todos juntos da terra!

Acordar o irmão que acorda o filho, que acorda um caminho longo a ser seguido. Pegar as mudas que mesmo caladas, ecoam os seus cânticos de verdejar o dia que aflora. É roça, é boi, fio, enxada e facão. É a vida tentando dilatar entre os canteiros do latifúndio. Vida que se faz comunitária, transpassa lote do outro na tecnologia social de cooperar para que unidos possam crescer. 

Nesse fermento, acaba que cresce também a terra, os insetos, a água, a palavra, o desabafo, o lamento.. logo, uma canção aparece e ecoa uma rima, um trocadilho e o olhar serpenteado faz rir as mãos calejadas.
 

Quando chegamos no lote de Kombi, percebi buracos cavados no chão. Minha mente tropeçou na surpresa de ver maneiras tão redondas de se fazer furo na terra. Ver tantos buracos levou para um lugar distante dentro de mim.. "a gente já nasceu com tantos furos no peito e as contradições da vida só fazem eles crescerem, né?".. Penso: 

- quem faz os buracos dentro da gente? 

- quantos buracos cabem em cada corpo? 

- porque deixamos fazer? 

- como tapar buracos? 

- como semear remendos?

Provocações fazem dança dentro da cabeça, enquanto isso, o corpo pega nutrientes, esterco, gel para hidratar o solo, enxada e mudas. Lá vamos.. de buraco em buraco, preparando as camadas para plantar as árvores do sistema agroflorestal: a gente intercala uma árvore nativa, com uma bananeira, no final somos 4 e plantamos +/-30! Somos poucos e fazemos muito no que é possível! 

Olhei para longe, as colinas do Vale tem essa mania de encantar, ainda mais de manhã quando o sol entra nelas. Olhar para longe me fez perceber a grandeza do perto. Após o trabalho, não havia mais buracos eles não deixaram de existir mas, sim, ganharam novos significados de direções. Buracos que não fazem mais furo no sentido para baixo, agora buraco virou semente em ninho de árvore para criar vida e alimento, limpar água e ar, ser casa para bicho voador... Buraco, agora, vai cutucar o céu com esperança da partilha entre os diversos que se unem em um propósito comum. 

Pisco olho e sinto uma quentura. Ela não vem do Sol de fora, é de dentro do tórax que cresce acho que com tais pensamentos e vivência ao lado dos companheiros, algum buraco foi "replantado" aqui dentro deste corpo. 

Aprendo novamente que plantar é cura!

Estar juntos na fúria da Esperança em luta também! 

Que nossas escolhas sejam coletivas e compartilhadas, igual colheita de São João!!!

Agradeço por estar com vocês! 

Até abril, 

Lagoinha, 20 de Março de 2022.

Dábila Cazarotto - autora do texto e imagens. 


*participante da vivência agroflorestal do MST (janeiro/2022) (short laranja), participante da Ciranda e da Inauguração da Biblioteca 'Joel Gama' da Escola Popular Ana Primavesi no Assentamento de Reforma Agrária Egídio Brunetto e do lançamento do livro "Krenak, o menino de braços compridos" (19/03/2022), da Marcha Mundial de Mulheres e Teia dos Povos.

 

  







10 de mar. de 2022

A Lua – O Sol noturno nos trópicos e sua influência na agricultura

 Por Jairo Restrepo Rivera

Tradução: José Miguel Garrido Quevedo e Thiago Ribeiro Coutinho.

Rede Agroflorestal Vale do Paraíba.

1) Introdução

Muitos estudos consideram a luminosidade lunar essencial para a vida e o desenvolvimento das plantas. Diferentemente da luz solar que recebemos, a luz lunar exerce diretamente uma forte influência na germinação das sementes, quando sutilmente seus raios luminosos penetram com relativa profundidade, quando comparada com a força dos raios solares que não conseguem penetrar em sua intimidade. Parece que o excesso de pressão que exerce os fótons solares sobre os vegetais não permite o intercâmbio de substâncias nutritivas que as plantas necessitam para seu crescimento normal, ficando, por tanto, a missão de estímulos sedutores a luminosidade lunar para que as sementes germinem fortes e sadias.

Por outro lado, está demonstrado, que a intensidade da fotossíntese é bem superior em todas as plantas a partir da lua crescente até o desenvolvimento pleno na lua cheia, o qual está compreendido entre os três dias depois da lua crescente até três dias depois da lua cheia, fenômeno atribuído cientificamente ao incremento da intensidade da luz lunar sobre o nosso planeta.

2) Influência das fases da lua no movimento da seiva das plantas:

Uma exemplificação: Quando cortamos as madeiras para as construções na fase da lua no quarto crescente até a lua cheia, as madeiras duram bem pouco, porque suas fibras estão carregadas com o máximo de água, que quando secas continuam com as fibras abertas, cheias de ar. As madeiras racham e resistem pouco as intempéries. Quando cortadas na lua minguante duravam mais e são mais resistentes a deterioração, por que a madeira tinha menos água e ao secar suas fibras ficavam fechadas, resistente ao tempo e aos insetos.

Por outro lado, associado a esta prática das fases lunares, o corte das madeiras é feito no final de outono e nos meses de inverno, época onde praticamente todas as árvores têm perdido as folhas e sua atividade fotossintética se encontra reduzida.

Assim a prática dos campesinos é o corte das árvores madeireiras estar limitado quase exclusivamente aos quatro meses do ano que se escrevem sem a letra R, como são maio, junho, julho e agosto.

Outro exemplo de conhecimento campesino é a semeadura de grãos na lua minguante, como milho e feijão a fim de se evitar a proliferação de carunchos, ou ainda, o plantio de culturas que enramam como batata, mandioca e abóbora na lua minguante e na lua nova.

3)Influência das fases lunares na fruticultura: Podas – A tarefa das podas e as limpezas de árvores enfermas, se centralizam na fase da lua minguante até a lua nova, evitando podridões e obtendo-se uma rápida e melhor cicatrização. A plena lua nova é considerada como a fase onde tudo se limpa. Todas estas atividades não são executadas entre a lua crescente e a lua cheia, (período intensivo “águas  acima”) porque a seiva das plantas e das árvores está nos brotos e nas partes mais novas das mesmas, muitas plantas ou árvores podem debilitar-se e até morrer se não estão bem nutridas e bem fortificadas. Em compensação, esta fase lunar – crescente e cheia – é ideal para colher frutos em seu estado mais rugoso, tais como, mamão, pinha, manga, fruta do conde, limões, tomates, pêssego, uva, carambola, ciriguela, goiaba, melão, melancia, amora, etc. Para a realização de podas em árvores novas, período de formação de copa e produção de estacas, se recomenda realizar estas atividades entre a lua nova e a lua crescente, com a finalidade de estimular o rebrote vegetativo dos mesmos; por outro lado, este período lunar – nova e crescente – é o mais apropriado para o transplante de plantas de um lugar para outro, e é o espaço ideal para a poda de raízes das árvores ornamentais tipo bonsais. Finalmente, a poda dos brotos vegetativos, no cultivo do morango, se deve realizar durante a influência da lua minguante, para evitar o debilitamento do cultivo e a queda da produção de frutos.

4) Influência das fases lunares no semeio e transplante de plantas que crescem e frutificam acima da terra: Parece que a norma comum seguida nas “épocas do passado” era semear na lua crescente (depois dos três primeiros dias da lua nova, até os últimos dias de lua cheia – período extensivo “águas acima”), de preferência dois ou três dias antes da lua cheia, todas as plantas que crescem em altura e dão frutos, como tomates, pimentas, berinjelas, pimentões, pepinos, feijão, favas, allho porró, couve chinesa e outros legumes. E os cereais, cevada, aveia, arroz, trigo, milho, etc.

5) Influência das fases lunares no semeio e transplante de plantas que desenvolvem debaixo da terra: Semeiam-se na lua minguante (depois dos três últimos dias da lua cheia, até os três primeiros dias de lua nova, período extensivo “águas abaixo”) todas as plantas que se desenvolvem abaixo da terra, como cenouras, nabos, batatas, beterrabas, cebolas de cabeça, alhos, rabanetes, etc.

Observação importante: Todas as plantas que nascem rente a terra, como alfaces, acelgas, espinafres, couve de folhas, cujo produto para consumo são as folhas frescas, deverão ser semeadas na fase lunar minguante, por que quando se semeiam na lua crescente, tendem a subir a flor prematuramente, fenômeno mais comum com as alfaces.

6) Influência da lua na colheita de frutos, hortaliças, legumes frescos e grãos verdes para consumo imediato: A colheita de frutos, hortaliças,  legumes frescos e grãos verdes para o consumo imediado pode ser dividido em dois períodos:

6.a) Período intensivo de colheita: Com aproximadamente sete dias de duração, compreendidos entre os três depois da lua crescente, até três dias depois da lua cheia (período intensivo de “águas acima”). É o momento onde frutos, hortaliças, legumes, grãos verdes e milho verde se encontram em seu estado mais rugoso, ao mesmo tempo que há uma maior concentração de sabores.

6.b) Período extensivo de colheita: Com mais ou menos quatorze dias de duração, no qual, ademais de contemplar o período anterior, considera aproximadamente os quatro últimos dias da lua nova (os frutos recém começam a ganhar o máximo de turgor) e os três primeiros dias depois da lua cheia, onde os frutos começas a ter menos quantidade de suco (período extensivo de “águas acima”). Se consideram a colheita de: milho verde, ervilha, favas verdes, feijões, pepinos, alfaces, acelga, aipo, vagens verdes, hortaliças com flores como couve-flor, brócolis, alcachofra, berinjela, espinafre, feijão verde, cebolas largas ou de ramas, tomates e pimentões rugosos, para consumo imediato, para cidras, grãos pré germinados, morangos, amoras, cerejas, mangas, abacates, laranjas, limões, mamão, melancias, melões, abóboras, goiabas, carambolas, pinhas, fruta do conde, ameixa, pêssego, uvas, figos, maracujá, jabuticaba, goiaba, maçã, pera, nêspera, acerola, etc.

7) Influência das fases lunares para colheita de grãos secos, cereais e conservar alimentos: A melhor lua para colher e conservar grãos secos e alimentos que durem mais tempo em bom estado, tenham melhor sabor e sejam mais resistentes contra o ataque de insetos e microrganismos quando armazenados, é a lua minguante. Dentre o grupo de colheita de grãos secos destacam-se: milho, arroz, gergelim, aveia, trigo, cacau, cevada, coco, feijão, grão-de-bico, girassol, amendoim, lentilha, soja, sorgo e sementes de forma geral.

 

Referência Bibliográfica:

RIVERA, Jairo Restrepo. A Luna- El Sol nocturno em los trópicos y su influencia em la agricultura. Servicio de Información Mesoamericano sobre Agricultura Sustenible, 1ª edição, Manágua, 2004. 214 p.

21 de fev. de 2022

MUTIRÕES DE PLANTIO AGROFLORESTAL NO SÍTIO NOSSA SENHORA APARECIDA - SÃO JOSÉ DOS CAMPOS/SP

Datas: 30 de janeiro, 03, 06 e 13 de fevereiro de 2022
Local: Sítio Nossa Senhora Aparecida, Assentamento Nova Esperança, São José dos Campos-SP

 

Figura 1. Equipe do mutirão agroflorestal do dia 06/02/2022.

Por 
Débora Olivato
Pesquisadora do Programa CEMADEN Educação - Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais, MCTI - Ministério de Ciência e Tecnologia e Inovações

Humberto Gallo Junior
Pesquisador do Instituto de Pesquisas Ambientais - IPA/SIMA-SP, Taubaté/SP

Luciano Reis
Agroflorestor do Sítio Nossa Senhora Aparecida e coordenador da CSA Pindorama

Neste início de 2022, foram realizados diversos mutirões no Sítio Nossa Senhora Aparecida, localizado no Assentamento Nova Esperança em São José dos Campos – SP para o reflorestamento de uma área degradada, com base no sistema agroflorestal (Figura 1).

Esse é mais um dos projetos sustentáveis que o Sítio acolhe. Outros exemplos de projetos desenvolvidos são o manejo orgânico, a inserção da produção de hortaliças nos moldes da agricultura sintrópica, a expansão das áreas de sistemas agroflorestais (SAF), produção de shimeji e a formação de uma Comunidade que Sustenta a Agricultura familiar – CSA.

O terreno reflorestado foi um topo de morro, próximo a uma área de preservação permanente com nascentes, que sofreu um incêndio ocasional em 2020 (Figura 2). Dentre os objetivos desta ação estão a recuperação ambiental por meio da SAF com um consórcio de mudas de espécies florestais e frutíferas com ênfase nas nativas e diversidade de Citrus, para o aumento da recarga hídrica e combate ao escoamento superficial da água da chuva.

Figura 2. Área de restauração com SAF visando o reforço da re/carga hídrica e combate à erosão.

Esse conjunto de ações, orquestrado pelo agroflorestor Luciano Reis, teve o apoio do Instituto Auá, por meio do projeto Semeando Economia Verde na Mata Atlântica, e de outras instituições, como a Secretaria de Agricultura do Estado de São Paulo, a CSA Pindorama, a Biblioteca Lucio Reis, Adubamente e Empresa de Consultoria Ciranda Ecológica.  

Os mutirões ocorreram nos dias 30 de janeiro, 03, 06 e 13 de fevereiro de 2022, numa área de 2 hectares, onde foram constituídas 07 linhas para o plantio de 21 espécies, sendo elas: algodoeiro, angico branco, araçá amarelo, araçá do campo, aroeira pimenteira, aroeira preta, babosa branca, canafístula, copaíba, cabeludinha, goiaba, guapuruvu, figueira branca, guaratã, guaritá, ingá, jacarandá, mutambo, sabão de soldado, tamanqueira, sangra d'água, urucum, grumixama, guanandi e ipê branco (Figura 3).

Figura 3. Mudas de citros (sacolas) e diversidade de nativas (bandejas).

Para adubação dos berços utilizou-se potássio (ekosil = rocha moída), calcário, torta de mamona e composto orgânico. A adubação verde foi formada por um coquetel de sementes contendo feijão de porco, feijão guandu, nabo forrageiro, crotalária, urucum, aroeira pimenteira e quiabo caturrão. Ainda foram plantadas abóboras em 3 linhas, no pé das mudas. 

A realização do plantio direto, com a distribuição adequada das espécies nos 07 canteiros apenas roçados, teve como base a filosofia do SAF, a partir do estudo da paisagem, dos grupos, funções e preferências ecológicos das espécies arbóreas utilizadas, com orientações de Antonio Carlos Devide, da Rede Agroflorestal Vale do Paraíba, do consultor Vinícius Favato (Ciranda Ecológica) e do agroflorestor Luciano Reis (Figura 4).

Figura 4. Diálogo sobre estudo da paisagem, grupos e preferências ecológicas das espécies utilizadas para fins de organização das mudas com base em consórcios para o plantio.

O plantio direto foi feito em linhas (Figura 5), com citros a cada 4 metros, intercalados com espécies florestais e frutíferas nativas. No primeiro mutirão (30/01), por exemplo, foram plantadas 7 linhas com 50 metros (350 metros lineares), com mudas nativas e frutíferas a 1 metro de distância uma da outra e entre linhas de 3 metros. No mutirão do dia 06/02 foram plantadas 6 linhas, totalizando 210 metros lineares (Figura 5). O espaçamento de 3 metros entre as linhas será utilizado para o plantio futuro de batata inglesa com semeadura de capim marandú (Andropogon gayanus).

 
Figura 5. Faixas roçadas para o plantio direto de mudas e adubação verde intercalada com faixa de vegetação nativa com berços abertos com motocoveador e capina seletiva da braquiária para o plantio de diversidade de mudas nativas.

O grupo de voluntários foi acolhido pela família do sitiante com muito carinho. Foi realizado café comunitário e almoço com produtos orgânicos colhidos no próprio sítio. Em todas as etapas houve medidas de segurança para evitar a transmissão do COVID-19, como uso de máscara, álcool em gel, distanciamento social e muito respeito. A realização dos mutirões proporcionou muito aprendizado e troca de experiências, demonstrando a importância dos trabalhos desenvolvidos em rede.

Edição para o blog

Antonio C. P. Devide – Pesquisador da APTA Vale do Paraíba

15 de fev. de 2022

ACONTECE: Visitas técnicas em áreas de Sistemas Agroflorestais e Restauração Florestal por Semeadura Direta (Muvuca) em Cunha-SP

PROJETO AVALIAÇÃO DE CRESCIMENTO E PRODUÇÃO DE ESPÉCIES FLORESTAIS NATIVAS E CULTURAS USANDO OS MODELOS 3-PG e YieldSafe

COMPONENTE DISSEMINAÇÃO – CUNHA

Programação da visita 

1. Roteiro da visita 
DIA 14/02/2022 (2ª f) 
HORÁRIO: 13h00 às 16h00m 
13h00m – Encontro e roda de conversa na sede da SerrAcima 
14h00m – Visita à propriedade da Fernanda Carvalho (Sítio Terra Lila) 

NOTAS 
  1. Na sede há um pátio aberto onde é possível fazer a roda de conversa com segurança sanitária. No local há cozinha, banheiros e teremos um pequeno café de acolhimento. 
  2. As visitas foram combinadas em função da disponibilidade das pessoas para nos acolher e da acessibilidade, pois as estradas rurais de Cunha que estão praticamente intransitáveis em função das chuvas. 
DIA 15/02/2022 (3ª f) 
HORÁRIO: 08h00m às 11h30m 
08h – Visita à propriedade de Lucimeire Alves de Toledo Pereira e Lourival Pereira (Sítio Varginha)

2. Informações sintéticas para contextualizar o trabalho realizado em campo no âmbito da parceria com a SerrAcima - município de Cunha. 

Os/As participantes foram selecionados por meio de mobilização e visitas de diagnóstico participativo, considerando-se interesse, compromissos firmados e disponibilidade de áreas para plantio, dando-se prioridade a agricultores e agricultoras familiares. 

A maioria dos/das beneficiários/as foi incluída desde o início do Projeto, após definição de projetos executivos propostos pela Tecnóloga em Agroecologia Marccella Lopes Berte (Bolsa Fapesp). Foram agregados 2 novos participantes em 2022 para otimizar o uso dos recursos disponíveis na fase final do projeto, durante o período chuvoso. 

Alguns participantes desistiram de participar do projeto em função de motivos diversos como prejuízo do plantio após a geada de 2021, insatisfação com os resultados das ações de semeadura direta, períodos de descontinuidade no acompanhamento e outras razões indicadas nos relatórios. 

Seguem alguns exemplos ilustrativos das ações realizadas (e em andamento) em campo. 

2.1 - SAFs (Enriquecimento de Pomares Agroflorestais) 

Os/As agricultores mobilizados já tinham histórico de participação em projetos de fomento à produção agroecológica de alimentos desenvolvidos pela entidade. Ganharam autonomia com a constituição da Associação de Produtores Agroecológicos de Cunha – Amigos da Terra (APAC) e contam com o apoio da SerrAcima para a construção de seu percurso autônomo. 

Já havia sido feito um diagnóstico prévio apontando demanda por diversificação da cesta e produção de frutas para comercialização na feira agroecológica semanal e junto ao Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE). Algumas ações de plantio de frutíferas já tinham sido realizadas e as famílias precisavam avançar na transição agroecológica das propriedades. 

Durante o período de execução do Projeto, foi realizado o acompanhamento ativo das atividades da APAC, incluindo o apoio à participação em iniciativas de coleta e comercialização de sementes florestais. 

Sítio Varginha. Lucimeire Alves de Toledo Pereira e Lourival Pereira (Val e Lucimeire). Realizado plantio de mudas e frutíferas para enriquecimento do pomar + enriquecimento com adubação verde em área de declive com  1.100 m2 (restauração ecológica em área sujeita a erosão). A família tem liderança na APAC e um longo histórico de participação nas ações e projetos implementados pela SerrAcima e no movimento agroecológico. 

Sítio Varginha - Sistema Agroflorestal (09/12/21)

Sítio Campos Novos. Maria Helena da Silva Amorim e Joaquim Amorim (Lena). Realizado plantio em área de cabeceira e encosta de grota com objetivos restaurativo e produtivo (225m2 ). Produção de frutas, hortaliças e sementes de arbóreas para comercialização futura. A família integra a APAC e tem muito interesse na coleta e comercialização de sementes florestais. 

Plantio com objetivo de restauração em área de encontro de dois morros com muita inclinação que formam um caminho natural de escoamento de água que alimenta uma mina que está devidamente cercada. Foi realizado o plantio direto com muvuca contendo 12 espécies de adubação verde e 81 espécies nativas. Em dezembro de 2021 foi realizado replanto: as covetas que não tiveram crescimento vegetativo das espécies semeadas foram abertas novamente e aumentadas em diâmetro e profundidade (30cm x 30cm). Foi refeita a semeadura com muvuca, coberta a cova com terra e irrigada com biofertilizante produzido na propriedade. 

Sítio Campos Novos - Sistema Agroflorestal (18/12/2021)

Sítio Nossa Senhora de Lurdes. Maria Dolores e Evandro (D. Lurdinha). Realizado plantio de macela para comercialização e frutas para consumo familiar (restauração ecológica em área de declive e sujeita a erosão) no total de 800m2 . A D. Lurdinha e seu filho Evandro são participantes da APAC e da Feira Agroecológica. 

Sítio Nossa Senhora de Lurdes - Sistema Agroflorestal (16/12/2021)

2.2 - Semeadura direta (áreas degradadas, proprietários/as rurais em geral) 

Em Cunha verifica-se uma grande demanda por apoio técnico e financeiro para a realização de ações de recuperação de áreas degradadas que vêm sendo partilhadas por famílias tradicionais e adquiridas por “novos rurais”, sem experiência no campo mas com anseios de implantar ações de restauração florestal - em especial aquelas destinadas à proteção de nascentes e matas ciliares, assim como sistemas de produção sustentáveis. 

Esse segmento vem crescendo rapidamente e seu envolvimento em projetos de restauração florestal pode ter um papel importante na remodelagem do perfil de ocupação do extenso território rural do município. 

Sítio Terra Lila. Fernanda Carvalho. Realizada semeadura direta em área de morro e mata ciliar, havendo prejuízo quase total da ação em função da ação de formigas, geada e limitações no manejo. A área inicialmente plantada foi de 0,8 ha, sendo iniciada em fevereiro de 2022 uma nova semeadura nas covetas vazias + ampliação da intervenção para 2 ha em função do apoio do Projeto para uso imediato de muvuca já preparada e da parceria com a equipe do Projeto Mata que cria Água (SerrAcima-WWF-Brasil). 

Sítio Terra Lila - Semeadura Direta (02/02/2022)

Sítio Raízes. André de Carvalho Galvanese e Rosângela de Lira Agostinho. Realizada semeadura direta em área total de aproximadamente 1,2 hectares na qual foi realizado plantio com duas finalidades distintas: aproximadamente 0,5 hectare de recomposição florestal tradicional e 0,7 hectare de SAF. As ações de preparação da área e plantio já haviam sido iniciadas pelos proprietários e a oportunidade de enriquecimento com muvuca poderá ser documentada como ação demonstrativa da viabilidade da recuperação de área degradada em curto prazo. Área agregada para otimização de uso de insumos no período chuvoso4, em parceria com o Projeto “Mata que cria Água”. 

Sítio Raízes. Plantio de sementes por coveamento entre indivíduos  regenerantes e semeadura nos terraços intercalados com mudas de interesse do proprietário. (26/01/2022)

Sítio Casa Bambu. Adriane Yumi Miyajima. Realizada semeadura direta em área de aproximadamente 1,2 hectares com a finalidade de recomposição florestal nativa, contendo trechos inseridos em Área Proteção Permanente (APP) de nascente. Beneficiária agregada ao Projeto em janeiro de 2022, diante da oportunidade de uso imediato de muvuca e da atuação em parceria com a equipe do Projeto “Mata que cria Água”. 

Sítio Casa Bambu (17/01/2022)

3. Considerações finais 

O Projeto deixa - em Cunha e para a SerrAcima, na qualidade de organização local parceira, um legado que vai além das ações em campo. Alguns aspectos, a serem aprofundados no relatório final, podem ser destacados:  

- A parceria para as ações do componente “disseminação” gerou oportunidade para a realização da primeira experiência com semeadura direta no município, contribuindo para a construção de conhecimentos sobre o uso dessa técnica em região serrana, com alta declividade e sujeita a geadas. 

- As ações do projeto fortaleceram as ações de apoio à transição agroecológica em propriedades de agricultores familiares, em um momento em que a sua situação de vulnerabilidade social estava agudizada pela pandemia e por intempéries eventualmente associadas a mudanças climáticas. 

- Os plantios realizados constituem ações demonstrativas para a mobilização de novos proprietários rurais para ações de restauração florestal. 

Esse breve relato foi elaborado com vistas a oferecer alguns elementos iniciais para a visita da equipe do Projeto a Cunha, evitando a necessidade de uso de equipamentos em sala fechada no acolhimento.

Esperamos que nosso encontro seja muito agradável e produtivo! 

Bem-vindas e bem-vindos! 

Equipe da Serra Acima Associação de Cultura e Educação Ambiental 

Cunha, 12 de janeiro de 2022.

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Nota: o Projeto - FAPESP 18/17044-4: "Avaliação de crescimento e produção de espécies florestais nativas e culturas usando os modelos 3-PG e YieldSafe", é financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa no Estado de São Paulo e desenvolvido no âmbito do Projeto Conexão Mata Atlântica. 

Este Projeto é coordenado pela pesquisadora Maria Teresa Vilela Nogueira Abdo (APTA de Pindorama) e Isabel Fonseca Barcellos (SIMA-SP), e visa fortalecer a agenda da restauração florestal e dos SAF no Vale do Paraíba. 

Ao apoiar o protagonismo da SerrAcima e suas atividades junto aos proprietários rurais e agricultores familiares no município de Cunha, fortalece ações locais, mas também possibilita a integração regional para fortalecer a agenda da restauração. Participam doprojeto a Rede Agroflorestal do Vale do Paraíba, o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra, o Instituto Auá e a Akaruí.



Edição para o blog: Antonio Devide - Pesquisador da APTA Pindamonhangaba
























4 de fev. de 2022

MUTIRÃO NO SÍTIO BENVINDA CONATTI, ASSENTAMENTO CONQUISTA DE TREMEMBÉ - SP

Relato na Unidade Demostrativa Agroecológica – Sítio Benvinda Conatti, no Projeto de Assentamento Conquista em Tremembé da companheira Deise Alves.

Por: 

José Miguel Garrido Quevedo, Perito Federal Agrário do INCRA SP

Thiago Monaco, Engenheiro Agrônomo do Instituto Auá.

 

Capricho é o sentimento que ficou na vivência em mutirão conduzidos pelos técnicos Thiago Monaco, Mathias Silva Ribeiro e Pedro Antonio Silva Ribeiro do Instituto Auá – no lote 28 do PA Conquista.

A chuva que despencou pela manhã não desanimou os participantes Heloisa, Luciana, Dona Ivone, Janaina e seu marido Nino, seu irmão Bruno do Conquista e o menino Guilherme do PA Olga Benário a instalarem esta unidade demonstrativa.


O Projeto do Instituto Auá de Empreendedorismo Ambiental no PA Conquista está atendendo 14 famílias e visa instalar Sistemas Agroflorestais com ênfase na  Restauração mas também com foco nos citros, lichia e frutíferas nativas como uvaia, cambuci, grumixama, cereja do rio grande, jabuticaba, e as nativas madeireira guanandi, louro pardo, ipês, mognos e eucalipto. O Projeto foi financiado pelo Banco do Brasil e está fornecendo Yoorin Ekosil, calcário, farinha de osso, composto pró-vaso, e os adubos nitrogenados torta de mamona e N organ e as sementes de adubo verde feijão de porco, feijão guandu, crotalária, nabo forrageiro e girassol.

Nas palavras da Janaina Anacleto: ¨ Estes Safs que estão sendo conduzidos pelo nosso grupo avançaram na proposta anterior da APTA pois dão ênfase a uma “restauração produtiva” além de estar dando oportunidade a mais pessoas do nosso assentamento participar e aprender com o técnico Thiago e entre nós mesmos”.

O desenho do Sistema Agroflorestal proposto foi o seguinte:

4 linhas de plantios com espaçamento de 4 metros.

Na primeira linha, de remanescente de uma linha de feijão guandu foi introduzido a linha de nativa e frutífera com ênfase na uvaia e como planta de serviço a banana. O espaçamento entre as mudas de uvaia foi de 4 metros, o mesmo entre as mudas de banana. Entre as mudas foram plantadas em mini covetas as sementes de guandu, girasol e milho e do lato de fora desta linha contínua semeado sementes de nabo forrageiro e crotalária.

 

Da mesma forma foi constituída a última linha deste saf.

A segunda e terceira linhas foi destinado as plantas de serviço, mudas de urucum e estacas de gliricidia. com espaçamento  a cada três metros de forma intercalada. No intervalo entre as mudas foi semeado sementes de milho, feijão guandu e girassol a cada metro e sementes de feijão de porco a cada 0,5 metro.

Todo o serviço foi coberto com a braquiária roçada e amontoada nas linhas das plantas.

 

A proposta de sucessão deste Sistema Agroflorestal é o seguinte:

Primeiro a Colheita comercial: Colheita de milho, seguido da colheita de feijão de porco, depois vem a colheita das sementes de feijão guandú e por fim a colheita da banana. A previsão de colheita da uvaia é de 4 a 5 anos. Ainda foram introduzidas algumas mudas de caja-manga, que exercerão o papel da emergente tardia.

 

Quanto a sucessão na produção primária das nativas e adubos verdes é o seguinte:

Primeiro o Nabo forrageiro e a Crotalária, depois vem o feijão Guandú, seguido da banana e gliricídia como árvores de serviço, finalizando com a maturação do urucum e canafístula e por último o ingá.

  

   


Adaptação para o blog:

Antonio Devide - Pesquisador da APTA Polo Vale do Paraíba